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Sob protestos e suspeita de fraudes, eleições haitianas foram validadasm

Um documento assinado por 12 dos 18 candidatos pedia a anulação do pleito, por conta de denúncias de fraudes.

Publicada: 01/12/2010 - 12h57m|Fonte: Natasha Pitts - Adital|Versão para impressão|

  • Sob protestos e suspeita de fraudes, eleições haitianas foram validadasm
Mesmo com denúncias de fraudes vindas tanto de presidenciáveis como de movimentos sociais organizados, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e demais observadores internacionais validaram as eleições ocorridas no Haiti no último domingo.

No dia 29, apesar de manifestações e denúncias de fraude, o Conselho Eleitoral do país reconheceu como válido o pleito. A expectativa é que o resultado das eleições seja conhecido entre hoje e amanhã.

A candidata Mirlande Manigat, primeira colocada nas pesquisas de opinião, afirmou ontem que não participou de nenhum grupo, nem assinou qualquer documento pedindo a anulação das eleições. Ao jornal haitiano Haiti Press Network, ela afirmou que desconhece o documento e que ficou surpresa com o fato. Acrescentou que segue como candidata e participará de um segundo turno, dependendo do resultado, pois tem boas chances de ganhar.

Manigat foi apontada como sendo a responsável pelas denúncias de fraude massiva para favorecer o candidato oficialista Jude Celestin. A presidenciável chamou os demais candidatos a reivindicarem a anulação das eleições, mas mudou de opinião e afirmou que apóia o pleito e lutou pela continuidade do processo eleitoral.

No último dia 29, um documento assinado por 12 dos 18 candidatos pedia a anulação do pleito, por conta de denúncias de fraudes. Contudo, o Conselho Eleitoral Provisional (CEP) afirmou que as eleições aconteceram e foram válidas. Sobre a anulação do pleito em 56 dos 1.500 centros de votação, o diretor geral do CEP informou que os casos serão analisados individualmente.

Em declaração divulgada dia 29, o secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, manifestou o posicionamento da organização sobre as eleições no Haiti declarando que a OEA reconhece os esforços das autoridades haitianas, com o apoio de membros da comunidade internacional, para realizar as eleições.

O secretário acrescentou ainda que "este esforço é mais destacável se pensamos que estas eleições se desenvolveram em condições de dificuldade que complicaram ainda mais o processo em um país com grandes debilidades, que sofreu um sismo de trágicas consequências e uma epidemia de iguais características".

Do mesmo modo, em coletiva de imprensa, o chefe da missão internacional que acompanhou o processo eleitoral, Collin Granderson, informou que as irregularidades encontradas não são o bastante para invalidar as eleições. Os observadores internacionais definiram ainda como "precipitada e lamentável" a exigência de anulação empreendida pelos 12 candidatos.

Desde agosto, a OEA unida à Comunidade do Caribe (Caricom) acompanha o processo eleitoral no Haiti por meio de uma Missão de Observação Eleitoral Conjunta. Esta mesma missão continuará monitorando as fases de apuração e apresentação dos resultados.

Apesar deste momento pós-eleições está sendo de aparente tranquilidade no Haiti, no domingo a situação foi diferente. Milhares de haitianos e haitianas reivindicaram a anulação das eleições pelas ruas da capital Porto Príncipe por suspeitar que o candidato do presidente René Préval estivesse sendo favorecido. As manifestações ocorreram, sobretudo, em Delmas e Pétionville, onde está localizada a sede do CEP.
A fim de evitar que novas manifestações aconteçam, Insulza pediu à população "paz e calma nos próximos dias e mais adiante".

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