Quarta-Feira, 23 de Maio de 2012

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Sexo, nudez e favelas: filme lançado na França explora clichês do Brasil

A comédia, cuja pré-estreia foi no Festival de Toronto 2010, brinca com fantasias sexuais e estereótipos do Brasil visto de fora.

Publicada: 24/02/2011 - 09h45m|Fonte: Luiza Duarte - Opera Mundi|Versão para impressão|0 comentário(s)

  • Rio Sex Comedy
  • Rio Sex Comedy
Uma comédia franco-brasileira inteiramente filmada no Rio de Janeiro estreou nas salas de cinema da França, nesta quarta-feira (23/02). É na cidade maravilhosa, onde os três estrangeiros de Rio Sex Comedy tentam conciliar satisfação pessoal e consciência social numa trama que reúne uma fileira de clichês sobre o país sul-americano.





A atriz, Charlotte Rampling, interpreta Dra. Jones, uma cirurgiã estética britânica em crise vocacional, que tenta convencer seus pacientes a não entrarem no bisturi. A antropóloga francesa vivida por Irène Jacob realiza um documentário sobre as empregadas domésticas, enquanto o embaixador norte-americano no Brasil, personagem de Bill Pullman, foge de suas responsabilidades se escondendo em uma favela da cidade.

Essas três histórias seguem paralelas e imprevisíveis tendo o personagem da cirurgiã como o ponto de conexão entre elas.“Vivemos um momento de pouco humor. Há um politicamente correto ridículo que governa o ambiente em muitos países”, garante o diretor norte-americano Jonathan Nossiter.

Ele se diz fã de filmes pornôs e de Séries B e confirma que o título do longa-metragem é uma referência satírica a “clássicos” do gênero, como Blame it on Rio (1984) . “É uma comédia ácida sobre os preconceitos dos estrangeiros e todos os clichés que eles trazem para o Brasil. O filme tira sarro desse olhar errado”, afirmou.

A comédia, cuja pré-estreia foi no Festival de Toronto 2010, brinca com fantasias sexuais e estereótipos do Brasil visto de fora. Ela “traz prazer e reflexão atrás do prazer, mas os dois seguem juntos”, disse Nossiter.

Construção e realidade

A praia de Copacabana, a Lagoa Rodrigo de Freitas e cinco favelas da cidade são alguns dos cenários. No roteiro, sexo, nudez, favelas, cirurgias plásticas, e claro, o mito da mulher brasileira. “Eu faço uma desconstrução dos estereótipos, quem não entende que é totalmente irônico o uso, não está pronto para receber uma comédia”, comentou o diretor.

Nossiter é casado com uma brasileira e se tornou carioca há seis anos. Para ele, fazer um filme sobre o Brasil é um desejo antigo. Seu último trabalho, o documentário Mondovino, sobre o universo do vinho, foi apresentado no Festival de Cannes, em 2004.

Matéria publicada originalmente em Opera Mundi

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