Terça-Feira, 22 de Maio de 2012

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Russia: Polícia para alugar

Corrupção. Muitos agentes russos têm negócios paralelos: cobram investigações e vendem bases de dados confidenciais.

Publicada: 05/04/2010 - 11h52m|Fonte: The Economist|Versão para impressão|0 comentário(s)

  • Russia: Polícia para alugar

  • Foto: Yuri Kochetkov - EPA
Eles alvejam civis, espancam-nos e torturam-nos, confiscam empresas e fazem reféns. Dois terços do país temem-nos e não confiam neles. Mas não são ocupantes estrangeiros, mercenários nem mafiosos; são os agentes da polícia russa. Os poucos agentes decentes são vistos como heróis, indivíduos excepcionais ou dissidentes.

As notícias diárias de violência policial parecem boletins de guerra. Entre os casos recentes um tiroteio causado por um agente de polícia num supermercado de Moscou (sete feridos, dois mortos), a tortura pavorosa e morte de um jornalista em Tomsk e o caso de Sergei Magnitsky, um jovem advogado de um fundo de investimento americano. Foi-lhe negada assistência médica e morreu quando estava em prisão preventiva em Moscou, depois de acusar de fraude diversos agentes da polícia.

A violência policial não é novidade na Rússia, mas a sua divulgação é . Uma explicação simples é que o terrorismo policial esgotou a paciência das pessoas e a fúria contida rebentou-se finalmente nos jornais, websites e até na televisão estatal.

A Internet torna mais difícil abafar os escândalos. No princípio deste mês, um motorista de Moscou colocou um vídeo online alegando que ele e outros condutores foram utilizados como escudos humanos pela polícia de trânsito quando tentava apanhar um criminoso armado.

Dmitri Medvedev, o Presidente da Rússia e homem atento à Internet, apressou-se em reagir. Despediu o chefe da polícia de Moscou, ordenou uma reorganização do obscuro sistema de gulags da Rússia e exigiu uma reforma do ministério do Interior.

Porém, esta reforma envolve a redução de 20% dos efetivos policiais e um controle centralizado da polícia regional.

Os agentes comuns, muitos dos quais não gostam do seu trabalho, parecem escandalizados e furiosos - não devido às acusações de violência, que quase ninguém contesta, mas pela hipocrisia dos seus chefes, que os transformaram em bodes expiatórios.

Alguns começaram a revelar segredos sobre os seus superiores.

A podridão instalou-se tão profundamente que uma verdadeira reforma da polícia russa significaria a reforma do poder estatal, diz Sergei Kanev, repórter investigativo do "Novaya Gazeta".

A função principal dos organismos responsáveis pela manutenção da ordem na Rússia não é defender os cidadãos do crime e da corrupção, mas sim defender a burocracia, incluindo eles próprios, dos cidadãos.

Para garantir a fidelidade dos serviços policiais e de segurança, o sistema permite que estes ganhem dinheiro com a sua licença de porte de arma.

Escoltas policiais podem ser oficialmente compradas. Outras atividades lucrativas incluem uma boa investigação, extorsão, venda de bases de dados confidenciais, escutas telefônicas e espionagem de empresas pagas por concorrentes.

Muitos agentes têm o seu próprio negócio paralelo. Não surpreende que os cargos de alto escalão na polícia sejam um bem valioso e bem negociado..

A maioria dos novos recrutas alista-se para ganhar dinheiro, de acordo com pesquisas internas.

Tal como escreveu Mikhail Khodorkovsky, um homem de negócios que está cumprindo uma pena de oito anos de prisão com base em acusações forjadas, disse que, a polícia, o Ministério Público e os serviços prisionais são partes integrantes de uma indústria cuja atividade é a violência legitimada e que explora as pessoas como matéria-prima.

Contudo, ao mesmo tempo que milhares de homens de negócios perdem o seu sustento ou cumprem penas por acusações forjadas, os burocratas culpados de crimes reais escapam com penas leves.

Há poucos dias, um agente da polícia que assassinou um jornalista independente na Inguchétia foi posto em prisão domiciliária depois do tribunal decidir que a pena de dois anos numa colônia penal era muito dura.

Um funcionário da alfândega culpado de contrabando foi condenado a três anos e teve a sua pena suspensa.

No fundo, a polícia é um instrumento nas mãos de uma instituição mais poderosa: o Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor do KGB, que permanece fora do controle público e acima de todas as críticas.

A polícia russa não só é chefiada por um antigo membro operacional do FSB como está cheia da sua gente, diz Vladimir Pastukhov do Instituto Russo do Direito e da Política Pública, um grupo de reflexão.

O FSB pode envolver-se em qualquer atividade mas confia na polícia para fazer o trabalho de campo. Não é possível uma reforma da polícia se os chefes não forem incomodados.

O FSB, é dividido entre várias facções com interesses próprios, tem um quase monopólio sobre as funções repressivas do Estado. Mais preocupante ainda, confia nos seus laços tradicionais com o crime organizado.

Kanev, que investigou alguns dos sequestros mais notórios de empresários ricos e seus familiares, diz que poucos poderiam ter acontecido sem o conhecimento e até mesmo conivência de elementos antigos e atuais dos serviços de segurança.

O sequestro como meio de obter lucros - anteriormente uma prerrogativa da Tchetchénia - é agora um grande negócio em Moscou. Muitos casos, diz Kanev, nunca são divulgados; em vez disso, a vítima paga discretamente. Isto é o que fazem as pessoas em territórios ocupado

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