Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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Retomada de expansão de colônias judaicas na Cisjordânia dificulta diálogo entre Israel e palestinos

O presidente palestino, Mahmud Abbas, conversou com o presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, para pedir medidas urgentes em relação à construção das casas.

Publicada: 10/03/2010 - 06h32m|Fonte: Opera Mundi|Versão para impressão|

Uma nova decisão do governo de Israel para construir 1,6 mil novas casas de judeus em Jerusalém Oriental, anunciada hoje (9), desagradou palestinos e criou mais um impasse para a retomada das negociações. O entrave aconteceu graças à aprovação do projeto pelo Ministério do Interior, para expandir a colônia judaica de Ramat Shlomo, no lado leste da capital.

A medida foi tomada um dia após os EUA terem anunciado oficialmente que israelenses e palestinos concordaram em estabelecer um diálogo indireto de paz com mediação norte-americana, após mais de um ano de paralisação do processo.

Autoridades palestinas já haviam demonstrado desconfiança quanto à disposição de Israel de retomar efetivamente o diálogo. Ainda ontem, o Ministério da Defesa israelense já anunciara a construção de outras 112 casas em assentamentos judaicos da Cisjordânia, logo após as reuniões do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas.

A decisão foi tomada contra a determinação do próprio governo de Israel, anunciada por Netanyahu em novembro de 2009, de suspender as obras na região com o objetivo de “facilitar a retomada das negociações”. Autoridades israelenses negam que a parte oriental de Jerusalém e as áreas adjacentes da Cisjordânia estejam incluídas no decreto. Mesmo assim, a estratégia não conseguiu aprovação internacional.

Na Casa Branca, o porta-voz Robert Gibbs condenou a atitude de Israel e afirmou que "nem o conteúdo nem o momento" do anúncio ajudam nos esforços pela paz no Oriente Médio.

Para Gibbs, a medida prejudica as conversas desenvolvidas na região por Biden, que também criticou as construções, alegando que abalam a confiança necessária para o processo de paz.

Em declaração emitida em Jerusalém e distribuída pela Casa Branca, o vice-presidente dos EUA afirmou que a iniciativa anunciada vai contra as "conversas construtivas" já iniciadas.

"Devemos criar uma atmosfera que apoie as negociações, não que as complique", declarou Biden, que após a visita a Israel deve continuar viagem pelos territórios palestinos e à Jordânia.

As 1,6 mil novas casas ampliarão para leste e para o sul a colônia de Ramat Shlomo, povoada por judeus ultra-ortodoxos e situada próxima à Linha Verde, fronteira estabelecida entre os territórios israelense e palestino internacionalmente reconhecida.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Comitê de Planejamento do Distrito de Jerusalém do Ministério do Interior, cerca de 30% dos alojamentos serão destinados a jovens casais.

Boicote

Segundo o jornal israelense Haaretz, o negociador palestino Saeb Erekat - que ontem já havia declarado que essas negociações mediadas pelos EUA seriam a última tentativa de negociar com Israel - considerou a aprovação do projeto "uma política sistemática para destruir o processo de paz”.

Ainda de acordo com o mesmo veículo, Meir Margalit, vereador do partido de esquerda Meretz, o momento do anúncio da construção das novas casas não é mera coincidência. Para ele, tudo foi uma tentativa de “boicote” ao recém-iniciado processo de diálogo.

"O fato de Eli Yishai [ministro do interior] não conter-se por mais dois e três dias até que Biden saísse de Israel significa que sua intenção era de provocação”, disse.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, conversou com o presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, para pedir medidas urgentes em relação à construção das casas.

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