Quinta-Feira, 30 de Outubro de 2014

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Resultado em Minas pesou na reeleição de Dilma Rousseff, avaliam especialistas

A ideia de que quem conhece Aécio não vota nele, e Aécio perdeu no seu estado, o estado que administra há muitos anos, foi um slogan muito forte que, de alguma forma, pautou o enfrentamento direto entre Dilma e Aécio no segundo turno.

Publicada: 28/10/2014 - 02h14m|Fonte: Agência Brasil - Mariana Jungmann|Versão para impressão|

  • Minas foi “o fiel da balança, do ponto de vista numérico” e também do ponto de vista político
  • Minas foi “o fiel da balança, do ponto de vista numérico” e também do ponto de vista político
A derrota de Aécio Neves em Minas Gerais, seu domicílio eleitoral e estado que governou por oito anos, pode ter sido um fator relevante para a vitória de Dilma Rousseff em sua reeleição. Na avaliação de especialistas mineiros ouvidos pela Agência Brasil, o mau desempenho de Aécio no estado depôs contra o candidato e o fez perder votos importantes.

Para o professor de ciências sociais e políticas da Universidade Federal de Viçosa, Diogo Tourino de Sousa, Minas foi “o fiel da balança, do ponto de vista numérico” e também do ponto de vista político, no sentido de converter eleitores de outros estados no momento em que Aécio passava a ser conhecido no Brasil.

“[Minas] teve uma importância muito grande na tônica da campanha da presidente Dilma no segundo turno. A ideia de que quem conhece Aécio não vota nele, e Aécio perdeu no seu estado, o estado que administra há muitos anos, foi um slogan muito forte que, de alguma forma, pautou o enfrentamento direto entre Dilma e Aécio no segundo turno. Então acho que se pode dizer, sim, que Minas teve um papel decisivo, não só pelo seu quantitativo de votos, mas sobretudo por esse elemento substantivo”, disse o professor.

Ainda na opinião de Tourino, a derrota do ex-governador no estado foi provocada por dois fatores decisivos. O primeiro foi o mau desempenho dos governos tucanos na educação em Minas. “Na retórica nacional, Aécio falava que elevou os índices educacionais no seu estado, que melhorou a educação, mas na prática os professores são pessimamente remunerados, as condições de trabalho nas escolas vêm caindo. Ou seja, a despeito da melhora dos índices, a avaliação subjetiva da educação no estado, sobretudo por seus atores, era muito negativa. E isso tem um impacto forte, porque a classe docente é formadora de opinião”, avalia.

Associado a isso, o insucesso do candidato tucano ao governo estadual, Pimenta da Veiga, que perdeu para Fernando Pimentel, do PT, no primeiro turno, foi o outro fator que contribuiu para o quadro em Minas. “Pimenta da Veiga não foi alguém que foi capaz de reverter essa má vontade com a administração. É uma má vontade que a gente pode ver como natural, ninguém que administra por três mandatos consecutivos – dois com Aécio e um com Anastasia – chega ao final de 12 [anos] sem arestas, haja vista que a própria presidente Dilma enfrentou arestas muito grandes neste processo de reeleição”, analisa.

Assim como Tourino, a professora de ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais, Helcimara Telles, também avalia que o desempenho dos candidatos em Minas teve peso no resultado nacional, embora considere que talvez não tenha sido decisivo. A professora também é membro da World Association for Opinion Research (Wapor), organização voltada para a pesquisa de opinião pública. Para ela, Minas Gerais tem um “peso simbólico” muito grande, por fazer divisa com estados em estágios socioeconômicos diversos, como São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia.

“Foi importante. Eu até conversava com meus alunos que quem ganhasse em Minas ganharia no resto do país. Minas tem um peso simbólico porque sintetiza o resto do país”, acredita. Helcimara também acredita no peso político que teve a derrota de Aécio Neves no estado no primeiro turno. Para ela, o fato de a presidenta Dilma ter ganhado no estado que já foi governado por seu adversário contou para convencer os eleitores dos outros estados.

No entanto, a professora rechaça a ideia de que foi uma eleição com resultado divido por regiões – com Aécio vitorioso no Sul, Sudeste e Centro Oeste, e Dilma no Norte e Nordeste – ou por classes sociais. “Ela ganhou em diversas classes sociais, ainda que ela tenha tido uma votação melhor nas classes mais baixas. Estatisticamente isso é totalmente justificável, pois existem mais pobres no país do que ricos”, avalia a professora.

Mesmo assim, Helcimara Telles diz que a vitória com margem tão apertada deve servir de alerta para a presidenta Dilma, que deve sobretudo melhorar sua comunicação com a sociedade. Para ela, Dilma perdeu o diálogo com a sociedade civil, com o setor produtivo e com o Congresso, fechando-se burocraticamente. A tendência agora, na opinião da professora, é a melhora dessa comunicação para se aproximar da sociedade e unir as pessoas em torno de projetos como a reforma política. “Acho que vai ser um mandato mais politizado, tem que ser um mandato mais habilidoso, que faça mudanças, atendendo aos eleitores dela e do Aécio”, conclui.

Dilma venceu em Minas com 52,41% dos votos válidos, enquanto Aécio teve 47,59%. No primeiro turno, a candidata petista também venceu no estado, com 43,48%. O tucano fez 39,75% em Minas no primeiro turno.

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