Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010

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Quem dança é o leitor

Nossos jornais procuram a descontinuidade e, não, a continuidade.

Publicada: 13/04/2009 - 15h40m|Fonte: Alberto Dines |Versão para impressão|0 comentário(s)

Como os jornais saem todos os dias e os fatos não são estanques, supõe-se que os assuntos de uma edição deveriam ser acompanhados nas edições seguintes. Suposição errada: nossos jornais procuram a descontinuidade e, não, a continuidade. Isso fica mais nítido nos fins de semana e principalmente nos feriadões, como o que se encerrou no domingo de Páscoa.

Durante três dias – sexta, sábado e domingo – as primeiras páginas foram armadas com assuntos de gaveta, sem conexão com o noticiário dos dias anteriores. Nem a greve de fome do presidente boliviano Evo Morales, os desdobramentos da Operação Satiagraha ou os incríveis desperdícios do dinheiro do contribuinte pelos congressistas conseguiram empolgar e produzir encadeamentos mais consistentes.

A causa está no estranho sistema adotado na redações brasileiras nos últimos anos: sim, os jornais são diários, saem todos os dias, mas o trabalho é intermitente. Nos dias que antecedem os feriadões as equipes desdobram-se, preparam matérias por antecipação, a continuidade e a atualidade que se danem.

Explicação para a crise

Veja-se o caso do Pacto Republicano de Estado que será assinado hoje pelos presidentes dos três poderes, um esforço conjunto para acabar com o que se convencionou chamar de "estado policialesco". O assunto só apareceu na primeira página do Estado de S.Paulo na sexta-feira (10/4), mereceu um lembrete do Globo no sábado e sumiu. Sumiu porque é um factóide. Mais grave do que o estado policialesco é a corrupção no aparelho policial e a violência solta nas ruas.

Cada dia uma nova pauta e nesta interrupção do fluxo noticioso pode estar a explicação para a atual crise do jornalismo impresso: se o jornal não se fixa e vive trocando de música, o leitor dança.

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