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Que tal o primeiro ano do governo Obama?

Reproduzimos aqui duas dessas respostas, uma de Eduardo Galeano, outra do grande historiador norteamericano Howard Zinn...

Publicada: 11/02/2010 - 18h12m|Fonte: Pescado no Blog do Emir|Versão para impressão|

  • Que tal o primeiro ano do governo Obama?
The Nation, a principal publicação progressista norteamericana, submeteu o tema a várias pessoas. A pergunta era: Olhando para o primeiro ano do governo Obama, qual você considera que foi seu ponto mais alto? E qual seu momento de maior desapontamento?

Reproduzimos aqui duas dessas respostas, uma de Eduardo Galeano, outra do grande historiador norteamericano Howard Zinn, falecido há alguns dias, autor da principal história do povo dos EUA.

Galeano: “O mais poderoso prisioneiro do mundo”

O ponto mais alto foi a encarnação da luta contra o racismo, ainda vivo depois da longa luta pelos direitos civis e seu plano de reforma do sistema de saúde.

As maiores decepções:

- Guantanamo, uma desgraça universal.

- Afeganistão, um cálice envenenado, aceito e celebrado.

- Sua elevação do orçamento de guerra, ainda chamado, não se sabe por que, orçamento de defesa.

- Sua falta de resposta para a questão do clima e sua resposta subserviente para Wall Street, uma contradição capturada perfeitamente por um cartaz em manifestação popular na Conferência de Copenhagen: “Se o clima fosse um banco, já teria sido salvo”.

- Sua luz verde para os autores do golpe em Honduras, traindo as esperanças latinoamericanas por mudanças depois de um século e meio de golpes fabricados pelos norteamericanos contra a democracia em nome da democracia.

- Seus discursos recentes pregando a guerra, hinos dos futuros massacres pelo petróleo ou pela causa sagrada de governos extorsionistas, completamente divorciados dos discursos que o colocaram onde ele está agora.

Eu não sei. Talvez Barack Obama seja um prisioneiro. O mais poderoso prisioneiro do mundo. E talvez ele não se dê conta. Tanta gente está nas prisões.


Howard Zinn:

Eu estive procurando com dificuldade por algum momento alto. A única coisa que se parece um pouco a isso é sua retórica; eu não vejo nenhum momento alto nas suas ações e nas suas políticas.

Para falar de desapontamento, eu não fiquei terrivelmente desapontado porque eu não tinha muitas expectativas. Eu esperava que ele fosse um presidente democrata tradicional. Na política externa, isso é pouco diferente de um republicano – nacionalista, expansionista, imperial e belicista um tanto quanto o outro. Nesse sentido, não houve expectativa e não há desapontamento. Na política interna, os presidentes democratas tradicionalmente são mais reformistas, mais próximos dos sindicatos, mais dispostos a fazer aprovar leis favoráveis aos mais pobres – e isto é verdade para Obama. Mas as reformas democratas também sempre foram limitadas, cautas. E Obama não é exceção. Sobre o sistema de saúde, por exemplo, ele começou com um compromisso e quando você começa com um compromisso, termina com um compromisso do compromisso, que é onde estamos agora.

Eu considero que na área dos direitos constitucionais ele poderia er atuado melhor do que atuou. Esse é o maior desapontamento, porque Obama foi para a Faculdade de Direito de Harvard e é, supostamente, especialista em direitos constitucionais. Mas ele se tornou presidente e não está fazendo nenhum avanço significativo para além das políticas de Bush. Claro, ele continua falando de fechar Guantanamo, mas ele ainda trata os presos lá como “suspeitos de ser terroristas”. Eles não foram julgados e, portanto, não foram condenados. Então, quando o Obama se propõe a tirar gente de Guantánamo e colocá-los em outras prisões, ele não está avançando muito na causa dos direitos constitucional. E ele foi à Corte argumentando a favor das detenções preventivas ele está continuando a política de mandar suspeitos para países onde eles podem perfeitamente ser torturados.

Eu considero que o povo está fascinado pela retórica de Obama e que o povo precisa começar a entender que ele está se encaminhando para ser um presidente medíocre – o que significa, no nosso tempo, um presidente perigoso -, a menos que surja algum movimento nacional para pressioná-lo para uma direção melhor.

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