O pronunciamento deveria ter ocorrido ontem (4), mas, devido ao clima acalorado entre os senadores, foi adiado para esta quarta-feira.
O dia de hoje será decisivo para o destino de José Sarney, quando este fará um discurso de defesa que, ao que tudo indica, terá um tom mais forte do que o utilizado até o momento. O pronunciamento deveria ter ocorrido ontem (4), mas, devido ao clima acalorado entre os senadores, foi adiado para esta quarta-feira. O futuro de Sarney dependerá, portanto, do desenrolar dos acontecimentos durante o dia.
No final da tarde desta terça-feira (4), Renan Calheiros (AL), líder do PMDB no Senado, afirmou que José Sarney (PMDB-AP) sofre pressão para deixar o cargo por motivos relacionados às eleições de 2010. De acordo com Renan Calheiros, Sarney não deverá deixar a presidência do Senado e está disposto a continuar no cargo.
Para Calheiros o debate tem sido alimentado por aqueles que desejam se aproveitar da situação em razão das eleições de 2010, quando dois terços dos senadores irão disputar a reeleição. O parlamentar afirmou, segundo a Agência Brasil, que a crise "é uma cortina de fumaça, uma ótica diferente. O que está em jogo são as eleições de 2010. Não é uma ilusão de ótica, é uma ilusão de ética que alguns fariseus tentam passar para o país”.
Calheiros também minimizou o bate-boca protagonizado ontem (3), no plenário da Casa, por ele e os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Fernando Collor (PTB-AL). “Era inevitável que esse debate acontecesse, no plenário ou no Conselho de Ética. Quando a temperatura aumenta é fundamental que se coloque os argumentos, que se debata mais sinceramente e a sessão de ontem foi, sobretudo, uma demonstração disso”, afirmou.
O líder do PMDB no Senado disse, ainda, que o plenário deverá voltar a deliberar e que, agora, o debate será travado apenas no Conselho de Ética. O presidente Lula recebeu, na noite de ontem, Michel Temer (PMDB-SP) que saiu do encontro afirmando que o presidente está empenhado em que o Senado resolva a questão por conta própria, mas que demonstrou seu apreço por Sarney. Apesar da pressão, não é provável que Sarney vá anunciar hoje a sua licença ou renúncia.