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Prêmio ao crime, punição ao ativismo

Irmã de extrativista assassinada é ameaçada no Pará, enquanto esposa do acusado é beneficiada pelo Incra.

Publicada: 05/03/2013 - 14h39m|Fonte: Carta Capital|Versão para impressão|

  • Laisa Sampaio recebe ameaças de morte, enquanto esposa do acusado é beneficiaria do Incra
  • Laisa Sampaio recebe ameaças de morte, enquanto esposa do acusado é beneficiaria do Incra
    Foto: Foto: Gabriel Bonis
Há quase dois anos, Laisa dos Santos Sampaio convive com a tensão criada pelas sucessivas ameaças de morte. A educadora não disfarça o receio dos recados para que se cale, mas mantém desde o assassinato da irmã, Maria do Espírito Santo Silva, e do cunhado, José Cláudio Ribeiro da Silva, em maio de 2011, em Nova Ipixuna, no Pará, o trabalho extrativista deixado pelos parentes no assentamento Praialta-Piranheira.

Laisa também não esconde a tristeza com a decisão do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) em conceder à esposa de José Rodrigues Moreira, acusado de ser o mandante do assassinato do casal, a posse do lote no assentamento que levou ao conflito e à morte dos ambientalistas. Em 14 de dezembro de 2012, o Incra considerou Antonia Nery de Souza apta a fazer parte do programa de reforma agrária do órgão. O seu marido, que nega envolvimento nas mortes, é réu no caso por homicídio qualificado e está preso.

Segundo as investigações das Polícias Federal e Civil, Moreira está por trás da emboscada na qual o casal foi alvejado por pistoleiros quando seguia para o assentamento, em 24 de maio de 2011.

O inquérito aponta que Moreira queria ocupar uma área comprada ilegalmente por 100 mil reais, em 2010. O fazendeiro pretendia criar gado no local, mas não conseguiu expulsar três famílias que viviam no lote sob a proteção de José Cláudio e Maria. Por isso, teria ordenado a morte do casal. Depois, teria deslocado parentes para ocupar os lotes e registrá-los no Incra. Um movimento que foi denunciado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura, pela Comissão Pastoral da Terra e pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nova Ipixuna, em carta de 21 maio de 2012.

As entidades informaram o superintendente do órgão em Marabá, Edson Bonetti, para a retomada dos lotes. Para as ONGs, permitir a ocupação seria “premiar o mandante do assassinato brutal de duas lideranças” locais.

As entidades ainda alertaram que pessoas ligadas ao acusado mantinham ameaças a quem tentasse retomar no assentamento o trabalho de José Cláudio e Maria. Entre eles, Laisa e sua família. “O que mais dói é saber que essas pessoas foram protegidas pelo órgão competente pela lei. É muito triste perceber a conivência com o mal”, lamenta Laisa em entrevista a CartaCapital.

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