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Pesquisa aponta rechaço à atuação do governo

Há cerca de dois meses, os indígenas fizeram paralisações gerais e exigiram a derrogação de nove decretos firmados entre Estados Unidos e Peru...

Publicada: 23/06/2009 - 10h48m|Versão para impressão|0 comentário(s)

Uma sondagem do diário "El Comércio", do Peru, mostra que 57% dos peruanos responsabilizam o presidente da República, Alan García, pelas mortes ocorridas em Bagua, na selva peruana. A pesquisa foi realizada antes da última quarta-feira (17), quando o governo fez um mea culpa por não ter consultado os indígenas sobre os já derrogados decretos legislativos 1090 e 1064.
A pesquisa apresenta a ministra do Interior, Mercedes Cabanillas, em segundo lugar, culpada por 39% dos cidadãos pela crise, considerada a pior enfrentada pelo atual governo.

Um total de 84% dos entrevistados também desaprova o desempenho de García durante a crise. 58% ainda reprovam a atuação do ex-presidente da Associação Interétnica para o Desenvolvimento Econômico dos Povos da Amazônia (Aidesep), Alberto Pizango, asilado na Nicarágua. A população também criticou a atuação de Cabanillas Bustamente (77%), do presidente do Conselho de Ministros, Yehude Simon (69%), e do líder do Partido Nacionalista, Ollanta Humala (58%).

Há cerca de dois meses, os indígenas fizeram paralisações gerais e exigiram a derrogação de nove decretos firmados entre Estados Unidos e Peru através de Tratados de Livre Comércio (TLC). Para eles, esses decretos agravam a mercantilização da selva amazônica peruana e beneficiam as empresas transnacionais.
Como resultado das manifestações, no último dia 5, uma mobilização popular foi duramente reprimida em Bagua. Segundo estimativas de Aidesep, mais de 30 pessoas foram mortas e outras 60 estariam desaparecidas. Três dias antes, o Congresso da República decidiu adiar o debate acerca da derrogatória dos decretos legislativos por falta de quórum.

Depois da pressão dos movimentos indígenas e do alcance internacional que o conflito tomou na Amazônia peruana, no último dia 19, o Executivo e o Legislativo publicaram a lei 29.382, que derrogou os decretos legislativos Nº 1090 e 1064. A mesa de diálogo entre governo e líderes indígenas foi reformulada, sob a orientação da Igreja.

Na próxima quarta (24), os povos indígenas amazônicos realizarão a Celebração Popular pelas Nacionalidades e pela Cultura Peruana, em Lima. O ato expressa o agradecimento das populações amazônicas à solidariedade nacional e internacional em defesa de seus direitos.

O ato será iniciado às 14 horas, na Casona de São Marcos (Parque Universitário, Lima), com uma cerimônia espiritual indígena. Depois, serão apresentadas atividades como manifestos e expressões artísticas através da poesia, música, pintura, canto, vídeo e dança.

As organizações do movimento social são a Coordenação Andina de Organizações Indígenas (CAOI), Confederação Nacional das Comunidades do Peru Afetadas pela Mineração (CONACAMI), Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (AIDESEP), Confederação Nacional Agrária (CNA), Confederação Campesina do Peru (CCP), Associação Nacional de Maestros de Educação Intercultural Bilingue (ANAMEBI Peru), Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP), Central Única de Trabalhadores (CUT), Movimento Cúpula dos Povos (MCP), Coordenação Político Social (CPS) e outras, articuladas na Frente Nacional pela Vida e Soberania.

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