Terça-Feira, 02 de Dezembro de 2014

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Participação brasileira foi “impecável” no resgate de vítimas das Farc, diz Cruz Vermelha

É impressionante a capacidade deles”, disse Felipe Donoso, que desde o ano passado acompanha as negociações para a libertar os reféns.

Publicada: 02/04/2010 - 22h04m|Fonte: Renata Giraldi - Agência Brasil|Versão para impressão|

Brasília – A perícia, o profissionalismo e a discrição dos militares brasileiros na operação de resgate dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) concluída ontem (1º) chamou a atenção da Cruz Vermelha Internacional. O representante da entidade – nas áreas de Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai –, Felipe Donoso, definiu à Agência Brasil a participação dos brasileiros como “impecável”.

“A participação dos militares brasileiros foi impecável. Eles foram muito discretos, pacientes e profissionais. É impressionante a capacidade deles”, disse Felipe Donoso, que desde o ano passado acompanha as negociações para a libertar os reféns e o treinamento na selva dos militares brasileiros responsáveis, que envolve entre outros aspectos, pilotar os helicópteros do Exército do Brasil.

Depois de um ano de planejamento, a operação foi encerrada com a libertação do soldado profissional Josué Daniel Calvo Sánchez, no cativeiro há 11 meses, e do sargento Pablo Emilio Moncayo, sob poder dos guerrilheiros há 12 anos. Também foram entregues os restos mortais do major da polícia Julián Guevara, morto em 2006 quando estava sob controle das Farc.

Cerca de 20 militares brasileiros estiveram diretamente envolvidos no processo de resgate dos reféns. As negociações políticas, do lado brasileiro, foram articuladas pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Para Garcia, o objetivo é buscar uma solução pacífica capaz de pôr um fim na agonia dos reféns sob poder dos guerrilheiros.

Estimativas do governo do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, indicam que há pelo menos 22 militares mantidos em cativeiro pelas Farc. Para a operação de resgate encerrada ontem, Uribe teve de se submeter a uma série de exigências dos guerrilheiros, como suspender as atividades do Exército no Sul do país onde ocorreriam as ações – em Florencia Villavicenzo.

Uribe, entretanto, demonstra restrições para aceitar mais imposições dos guerrilheiros. Na última declaração sobre o assunto, foi incisivo. “Não é possível ignorar a relação de firmeza e persistência que temos mantido para tentar derrotar [o esquema mantido pelas Farc] de sequestro em nosso país. Convido a todos os colombianos a manter a firmeza”, disse ele.

Em seguida, o presidente colombiano reconheceu a atuação brasileira no episódio. “Quero apresentar nossa gratidão ao governo do Brasil, ao Comitê da Cruz Vermelha Internacional, à Igreja Católica e ao Alto Comissariado.”

Para o governo da Colômbia, a organização das Farc é terrorista. O Departamento de Estado norte-americano atribui aos guerrilheiros a produção, o refino e o controle da maior parte da cocaína comercializada em território colombiano. Recentemente uma polêmica envolvendo o assunto virou tema de discussões na América Latina.

Colombianos e norte-americanos firmaram acordo para a instalação de bases militares na região com o objetivo de conter o tráfico de drogas. Para vários países da América do Sul, a iniciativa foi interpretada como intervenção dos Estados Unidos.

Criada em 1964, as Farc se estabeleceu como um movimento armado que se diz defensor dos direitos dos camponeses à terra e à educação de qualidade para seus filhos. Não há um número exato de quantos homens e mulheres participariam do movimento. Os cálculos vão de 6 mil a 18 mil.

Os integrantes das Farc são comandados por uma cúpula formada por nove líderes. Em março de 2008, foi morto o chamado número 2 da organização, Luís Edgar Silva ou Raul Reys, como era conhecido.

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