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Parteiras discutem inclusão de parto domiciliar no sistema público de saúde

Além das parteiras, o encontro contará com a presença de profissionais da saúde, integrantes de organizações não governamentais

Publicada: 09/08/2010 - 21h17m|Fonte: Karol Assunção - Adital|Versão para impressão|

De hoje (9) até próxima sexta-feira (13), Brasília será sede do "Encontro Nacional Parteiras Tradicionais: Inclusão e melhoria da qualidade da assistência ao Parto Domiciliar no SUS [Sistema Único de Saúde]". Cerca de 30 parteiras indígenas, quilombolas e tradicionais de 15 estados brasileiros estarão no evento para discutir e sugerir políticas para a inserção do parto domiciliar no SUS.

Além das parteiras, o encontro contará com a presença de profissionais da saúde, integrantes de organizações não governamentais, pesquisadores e representantes de universidades e autoridades do Ministério da Saúde, da Organização das Nações Unidas (ONU) e de governos estaduais e municipais.

De acordo com Paula Viana, integrante da coordenação do Grupo Curumim, o evento é o "final de um processo de dez anos de trabalho com parteiras" realizado pelo Curumim em parceria com o Ministério da Saúde. "A ideia é incluir o trabalho das parteiras no SUS", afirma.
Para a coordenadora, gestores e profissionais da saúde precisam compreender a importância das parteiras. Para isso, todas as demandas - como direitos trabalhistas e reconhecimento da atividade delas - serão colocadas no documento que será apresentado ao Ministério da Saúde no final do encontro. "O documento tem o objetivo de pedir aos gestores municipais, estaduais e federais que incluam essas preocupações no plano de ação do Governo e coloquem no orçamento", revela.

Paula considera que as parteiras ainda são discriminadas e não têm o trabalho reconhecido. "É uma injustiça muito grande com elas", opina, destacando a falta de garantia dos direitos trabalhistas dessas profissionais. Segundo a coordenadora do Grupo, as parteiras não têm direito à aposentadoria nem têm o trabalho remunerado.

Ademais, muitas usam materiais para o parto comprados do próprio bolso. "Elas precisam receber o kit da parteira com materiais para o parto, como luvas, por exemplo", demanda Paula, pedindo também mais respeito às parteiras nos centros de saúde. "Elas precisam ser respeitadas nas unidades de saúde. Às vezes, quando levam com caso de risco, não são bem recebidas, sequer ouvidas", comenta.

Para a coordenadora, é importante que as pessoas percebam que "parteiras são parceiras" no trabalho de saúde. Segundo ela, a maioria são mulheres, pobres, casadas, com filhos e moram em lugares isolados. "Aos poucos, elas vêm se alfabetizando, mas muitas ainda são analfabetas", comenta, acrescentando ainda a dedicação ao ofício e a solidariedade às mulheres.

De acordo com Paula, a parteira é "o elo entre a comunidade e o serviço de saúde", uma pessoa em quem as pessoas da comunidade confiam. Além disso, o trabalho dela está longe de ser apenas na hora do parto. "Ela extrapola a função de parteira e atende a todos os chamados, desde menino doente à violência familiar. Ela conversa com as pessoas, convence as mulheres a fazer o pré-natal... É alguém em quem as pessoas confiam", enfatiza.

O "Encontro Nacional Parteiras Tradicionais", que acontece até sexta-feira na Casa de Retiros Assunção (Avenida L2 Norte 611 S Módulo E SGAN, Brasília), é promovido pelo Grupo Curumim e Fundo Nacional de Saúde e tem apoio do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa).

Mais informações em: http://parteirastradicionais.wordpress.com/

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