Dois paramilitares sérvios da Bósnia foram nesta segunda-feira declarados culpados de crimes de guerra
Os primos Milan e Sredoje Lukic eram integrantes de um grupo paramilitar conhecido como Águias Brancas e também como Os Vingadores.
Os dois foram acusados de assassinato, perseguição, extermínio e outros crimes contra mais de cem muçulmanos bósnios perto de Visegrad, no leste da Bósnia, entre 1992 e 1994.
Os juízes do tribunal das Nações Unidas em Haia, na Holanda, condenaram Milan Lukic à prisão perpétua e Sredoje a 30 anos de prisão.
"Os crimes cometidos por Milan Lukic e Sredoje Lukic neste caso são caracterizados por uma cruel indiferença em relação à vida humana", afirmou o juiz Patrick Robinson ao ler o veredicto.
De acordo com o juiz, queimar vivos muçulmanos foi extraordinariamente brutal e "exemplifica os piores atos que uma pessoa pode infligir a outras".
Casas incendiadas
Millan Lukic foi considerado culpado de reunir cerca de 130 mulheres, crianças e idosos em duas casas e incendiá-las.
Ele também foi apontado como responsável pelo assassinato de 12 civis muçulmanos e de espancar muçulmanos em um campo de detenção.
Sredoje Lukic foi considerado culpado de cumplicidade e de provocar um dos incêndios em uma das casas.
Os promotores em Haia afirmaram que o grupo paramilitar foi o responsável por uma campanha de limpeza étnica.
De acordo com Geraldine Coughlan, correspondente da BBC em Haia, a defesa pediu a absolvição dos primos alegando inconsistências nas provas apresentadas. Mas a corte considerou confiáveis os depoimentos das vítimas que sobreviveram ao massacre.
Os primos negaram as acusações durante o julgamento, que terminou em maio.
Milan Lukic, de 41 anos, fugiu durante sete anos depois de ser acusado de crimes de guerra. Ele foi preso na Argentina em agosto de 2005 e entregue ao tribunal. Sredoje Lukic, de 48 anos, se entregou às autoridades no mês seguinte.