Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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Outra América Possível: Rumo ao IV Forum Social das Américas, no Paraguai

"O primeiro eixo temático está relacionado a um dos grandes desafios que serão colocados no Fórum, que é o Bem Viver.

Publicada: 04/03/2010 - 07h37m|Fonte: Natasha Pitts - Adital|Versão para impressão|

  • Outra América Possível: Rumo ao IV Forum Social das Américas, no Paraguai
Estão em andamento os preparativos para o IV Fórum Social das Américas (FSA). O evento, que acontece de 11 a 15 de agosto, no Instituto Superior de Educação - ISE, em Assunção, no Paraguai, está sendo pensado conjuntamente por cerca de 10 países, que formam o Conselho Hemisférico. Durante a última reunião, realizada de 25 a 27 de fevereiro, o Conselho definiu os eixos temáticos que guiarão as discussões e debates do Fórum.
De acordo com Luiz Bassegio, membro da coordenação continental do Grito dos Excluídos/as, os sete eixos temáticos foram definidos levando em consideração o panorama atual desenhado no continente. Os fatos marcantes da primeira década do século relacionados à militarização, aos povos indígenas e ao meio ambiente, entre outros temas, serão levados ao Fórum por meio de plenárias e oficinas.

"O primeiro eixo temático está relacionado a um dos grandes desafios que serão colocados no Fórum, que é o Bem Viver. Vamos questionar como viver sem o consumo desenfreado, descobrir um jeito de viver que não seja consumista, conversar sobre a integração dos povos baseada no respeito à diversidade. Os debates também vão abordar a migração e a necessidade da não criminalização dos migrantes", esclarece Bassegio.
Outras temáticas mundiais e, sobretudo, relacionadas à América Latina estarão presentes no Fórum, entre elas: disputas hegemônicas; diversidade na igualdade e os desafios para a sua conquista; criminalização dos movimentos sociais; a força camponesa na definição de alternativas de vida e a luta por outras formas produtivas e de vida para superar o extrativismo depredador.

De acordo com Luiz Bassegio, o eixo 7, "Memória e Justiça histórica: colonização e descolonização; bicentenários, repressão, verdade e diversidades", nunca antes abordado em outros Fóruns, ganhará amplo espaço de debate para que se "faça justiça a todas as dívidas históricas e se saiba quem ainda está devendo".

Também terão espaço de destaque os temas e problemáticas relacionados ao meio ambiente. A intenção é que já durante o evento "se viva o que seja prega". Por este motivo, quem participar do FSA terá acesso a uma realidade diferente, com alimentação saudável, ambiente ecologicamente correto, cuidados com a água e com a correta destinação do lixo. As atividades também deverão acontecer próximas umas das outras para que não haja a necessidade de deslocamento com automóvel e, consequentemente, o meio ambiente seja menos poluído.

Compartilhando deste mesmo espírito de preservação, os colombianos sugeriram que a travessia até a cidade sede do Fórum fosse feita de bicicleta. Mesmo que a maior parte dos participantes não possa aderir à ideia, a intenção é divulgar o Fórum Social das Américas e já pôr em prática que "um outro mundo é possível".

A expectativa do Conselho Hemisférico é que o Fórum reúna de sete a oito mil pessoas. Já a grande marcha que caminhará da sede do FSA até o centro da cidade, e será realizada no último dia de programação, deverá agrupar cerca de 10 mil participantes. Para acomodar grande parte dos encontristas serão montadas no campus do ISE de 120 a 150 barracas. Três acampamentos deverão acolher os indígenas, os campesinos e a juventude.

A quarta edição do Fórum Social das Américas acontecerá em um contexto de amplas transformações políticas e sociais nas Américas. Sendo assim, a intenção deste momento é permitir a troca de informações, manter uma agenda comum para o continente e permanecer como um espaço de luta e reflexão para a construção de uma "outra América possível".

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