Vamos comunicar os problemas detectados à Funai, órgão responsável pela área indígena e também à Polícia Federal
Durante uma operação conjunta que durou cinco dias e teve seu termino dia 18, cerca de 70 mil pés de maconha foram destruídos pela polícia dentro da Terra Indígena Alto Turiaçu, no município de Centro do Guilherme, às margens do rio Gurupi, na divisa do Maranhão com o Pará. A operação, realizada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA) contou com a participação de policiais civis, militares e do Grupo Tático Aéreo (GTA), identificou outras irregularidades na região, como a exploração ilegal de madeira e o funcionamento de um garimpo. Durante a operação, no entanto, não foi efetuada nenhuma prisão.
A missão foi coordenada pelo secretário-adjunto de Inteligência e Assuntos Estratégicos, Aluísio Mendes, que explica ser uma determinação do Governo do Estado combater o tráfico de maconha ainda na origem, antes do produto chegar aos consumidores nas cidades. “Pelo menos 80% da violência nas grandes cidades são geradas pelo tráfico de drogas. A estratégia é causar prejuízos aos traficantes, combater a capacidade de produção e o tráfico de maconha ainda na fase de plantio, antes da colheita”, declarou Mendes.
Ao todo foram cinco dias de trabalho dentro da mata fechada. Com o apoio de dois helicópteros e 20 homens do GTA os pés de maconha foram arrancados e queimados. Os traficantes escolheram áreas de difícil acesso, impossível chegar ao local de carro, e plantaram diversas roças, cerca de 13 com média de 5 mil a 7 mil pés de maconha em cada uma, ocupando uma parte de grande área da reserva indígena. Em algumas plantações os policiais foram obrigados a descer de rapel; outras estavam interligadas por trilhas, o que possibilitou acesso por terra. Os locais escolhidos para o plantio possuem água em abundância, o que facilita a irrigação, uma condição indispensável para o desenvolvimento da maconha nessa situação.
Os traficantes do polígono da maconha de Pernambuco migraram para a Terra Indígena Alto Turiaçu, que possui 5.300 km² de área, além de outras duas reservas indígenas, a Awá e a Caru. Essas terras formam um conjunto contíguo, completado pela Reserva Biológica do Gurupi, que se situa no oeste do Maranhão e está sob constante pressão da exploração madeireira ilegal, atividade que continua sendo desenvolvida abertamente.
Para explorar ilegalmente as poucas áreas remanescentes de floresta amazônica no Maranhão, infratores ambientais têm usado serrarias portáteis, mais fáceis de montar e desmontar, e que permitem se embrenhar na mata e produzir madeira serrada no próprio local. Porém, algumas tradicionais madeireiras continuam com suas portas abertas, como é possível verificar na cidade de Centro do Guilherme, local escolhido para apoio dos policiais do GTA.
Operação Bloqueio - A identificação dos plantios de maconha aconteceu durante a Operação Bloqueio, que os policiais estão desenvolvendo ao longo da BR-316, trecho que vai do município de Bacabal até Boa Vista do Gurupi, na divisa com o Pará. “Esperamos coibir os assaltos a ônibus, a cargas e outras ações criminosas que acontecem nessa região”, explicou Aluísio Mendes.
Com o apoio dos helicópteros, os policiais sobrevoaram a área e aos poucos foram identificando os vários plantios de maconha no meio da floresta. “Vamos continuar realizando as operações de rotina e estabelecer três grandes operações por ano durante o período tradicional de produção da droga”, anunciou.
Ele revelou que o plantio encontrado é classificado como ‘safrinha fora da época’, que abastece o mercado enquanto a grande safra não chega. “O período mesmo da safra acontece entre janeiro a junho, durante as chuvas. Os plantios da entressafra dependem de irrigação manual, o que é fácil nessa região”.
Garimpo clandestino - O trabalho da polícia vai continuar intensamente na região. O comandante da operação já tem outra ação a ser desencadeada na área: investigar a exploração de um garimpo dentro da reserva, detectada durante o sobrevôo aos plantios de maconha.
“Uma grande área está aberta, com infraestrutura e muitos homens trabalhando no local. Vamos comunicar os problemas detectados à Funai, órgão responsável pela área indígena e também à Polícia Federal”, anunciou. Ele acredita que o garimpo está voltado para exploração de ouro. “Já existem outros exploradores nessa região, mas pelo que observamos, esse garimpo é algo recente, precisa ser investigado”, constatou Mendes.