Sábado, 17 de Agosto de 2013

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O plano de Washington para provocar a Coreia do Norte

A imprensa ocidental criou uma ficção ridícula para justificar as ações calculadas friamente por Washington para desestabilizar a Coréia do Norte.

Publicada: 08/04/2013 - 10h17m|Fonte: Rebelion.org|Versão para impressão|

  • O plano de Washington para provocar a Coreia do Norte
Stephen Gowans


Em um artigo no The Wall Street Journal de 03 de abril, intitulado "EUA reduz a sua demonstração de força na Coréia ", os jornalistas Adam Entous e Julian E. Barnes revelaram que a Casa Branca aprovou um plano detalhado, chamado de "the playbook", para aumentar a tensão sobre a Coréia dodurante as manobras conjuntas do Pentágono com a Coréia do Sul.

As manobras, que ainda continuam e envolvem o envio de uma quantidade considerável de sofisticado equipamento militar dos EUA a curta distância da Coréia do Norte já constituem fonte de consdierável tensão em Pyongyang e representam o que o especialista em Coréia, Tim Beal, chamado de guerra "sub-crítica ".

As manobras, de dois meses, dirigidas contra a República Democrática Popular da Coréia, obrigam as forças armadas norte coreanas a entrar em estado de alerta, uma situação estressante e muito cara para um país cuja economia já está danificada por amplas sanções. Segundo a Agência de Notícias Coreana os "danos humanos e materiais causados desde 2005 já totalizaram 64.959.854 milhões de dólares norte-americanos.

A playbook foi desenvolvido pelo Comando Pacífico do Pentágono para aumentar as manobras que começaram no início de março e se discutiu em várias reuniões de alto nível na Casa Branca, de acordo com jornalistas do Wall Street Journal . O plano previa voos de baixa altitude de bombardeiros B-52 sobre a península coreana, iniciados em 8 de março. Poucas semanas depois, dois bombardeiros B-2 lançaram cargas fictícias de capacidade nuclear sobre uma instalação de mísseis da Coréia do Sul. Os voos foram feitos deliberadamente à luz do dia, em baixa altitude, e produziram o efeito desejado. "Nós poderíamos voar à noite, mas a ideia era ser visto".

Há poucos dias, o Pentágono enviou dois aviões de guerra de alta tecnologia F-22 para a Coréia do Sul, bem como parte de sua cartilha "playbook" para intimidar Pyongyang.

Segundo Entous e Barnes, a Casa Branca sabia que os norte-coreanos reagiriam e ameaçariam retaliar os EUA e a Coréia do Sul.

Em um artigo de 29 de março, Barnes escreveu que "as autoridades de defesa reconheceram que os oficiais militares norte-coreanos estão particularmente preocupados com os voos de bombardeiros por causa da recordação da destruição provocada pelo ar na Guerra da Coréia, na qual os EUA demoliram todos os alvos com mais de um piso.

A realidade, no entanto, é exatamente contrária ao que narram os meios de massa ocidental. Washington não reagiu a ataques e provocações norte-coreanas com uma simples demonstração de força. Pelo contrário, Washington planejou deliberadamente uma demonstração de força para suscitar uma furiosa reação norte-coreana, que então classificou de "provocação". As provocações, planejadas de modo frio e calculado, partiram de Washington. As reações da Coréia do Norte têm sido apenas defensivas.

Diante da necessidade de explicar porque a Coréia do Norte, um zero à esquerda em comparação com os EUA, deliberadamente provocariam um colosso militar, jornalistas ocidentais, os analistas citados anonimamente, eclodiram uma ficção ridícula sobre o uso de ameaças militares de Pyongyang como moeda de troca para obter ajuda do Ocidente, como reforço para sua economia instável e "mal administrada". Nesse cenário, o papel das sanções e da constante ameaça de intervenção militar dos EUA é negligenciado como uma explicação de dificuldades econômicas na Coréia do Norte.

No entanto, as revelações de Entous e Barnes agora tornam a história menos crível. Os norte-coreanos não desenvolveram um programa nuclear, não investiram o dinheiro em suas forças armadas e reafirmaram sua decisão de negociar diretamente com a agressão dos EUA e Coréia do Sul para pedir a ajuda de Washington. Eles têm feito de tudo para defender-se de provocações friamente calculadas.

De acordo com membros da redação do Wall Street Journal , a Casa Branca reduziu suas provocações, por agora, por medo de que poderia levar a um "erro de cálculo" da Coréia do Norte. Em linguagem simples e de rua, Washington desafiou a Coréia do Norte para um "jogo da galinha" e parou quando ficou claro que o jogo não iria se desenvolver de acordo com as suas intenções.


Fonte: http://www.globalresearch.ca/washingtons-playbook-for-provoking-north-korea/5329905

RCR

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