Quinta-Feira, 11 de Março de 2010

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O papel do Pentágono na catástrofe global

Além da emissão de dióxido de carbono, as operações militares dos EUA liberam outros materiais altamente tóxicos e radioativos no ar, na água e no solo.

Publicada: 08/02/2010 - 10h22m|Fonte: Carta Maior|Versão para impressão|0 comentário(s)

  • O papel do Pentágono na catástrofe global
Como o Pentágono conseguiu a isenção de todos os acordos climáticos? Durante as negociações para o Acordo de Kyoto, os EUA exigiram, como condição para a sua assinatura, que todas as suas operações militares no mundo, bem como as operações em que participa com a ONU e com a OTAN, ficassem totalmente isentas das medidas restritivas de redução da emissão de gases.

Depois de obter essa gigantesca concessão, o governo Bush se negou a assinar os acordos. A total exclusão das operações globais do Pentágono faz com que as emissões de dióxido de carbono dos EUA pareçam ser muito menores do que são na realidade.

Exercícios e treinamentos para tais ações”.

O doutor Salmon cita também o subsecretário de Estado, Stuart Eizenstat, que chefiou a delegação dos EUA a Kioto. Eizenstat informou que “o departamento de defesa e os militares de uniforme que estiveram comigo em Kioto obtiveram todos os requerimentos que queriam, ou seja, autodefesa, manutenção da paz e ajuda humanitária”.

Mesmo tendo recebido todas essas garantias nas negociações, o Congresso norte americano aprovou uma cláusula explícita garantindo a isenção militar para o país. A agência Inter Press Service informou em 21 de maio de 1998: “Os legisladores dos EUA, em seu mais recente golpe contra os esforços internacionais para conter o aquecimento global, eximiram hoje as operações militares dos EUA do acordo de Kioto que especifica claramente compromissos vinculantes para reduzir a emissão de gases provocadores do efeito estufa. A Câmara de Representantes aprovou uma emenda à lei de autorização militar do próximo ano (1999) “que proíbe restrições às forças armadas a partir do Protocolo de Kioto”.

Em Copenhagen, continuaram valendo os mesmos acordos e diretivas sobre a emissão de gases “estufa”. Contudo, não há a menor referência a esta manifesta omissão.

Segundo a jornalista e ecologista Johanna Peace, as atividades militares continuarão sendo eximidas de uma ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama e que prevê que as agências federais reduzam suas emissões de gases poluentes até o ano de 2020. Peace assinala que: “As forças armadas representam 80% das necessidades de energia do governo federal”. (solveclimate.com).

A total exclusão das operações globais do Pentágono faz com que as emissões de dióxido de carbono dos EUA pareçam ser muito menores do que são na realidade. E apesar disso, mesmo sem contar com o Pentágono, os EUA têm as maiores emissões de dióxido de carbono do mundo.

MAIS DO QUE EMISSÕES

Além da emissão de dióxido de carbono, as operações militares dos EUA liberam outros materiais altamente tóxicos e radioativos no ar, na água e no solo.

Armas estadunidenses feitas com urânio empobrecido já descarregaram milhares de quilos de micro partículas de dejetos radioativos e altamente tóxicos em todo o Oriente Próximo, Ásia Central e Bálcãs.

Os EUA vendem minas terrestres e bombas de racimo (bombas que ao explodir liberam outras bombas, também chamadas de bombas cluster) que são a maior causa de explosões retardadas, de mutilação e incapacitação, especialmente em camponeses e outros moradores do interior na África, Ásia e América Latina. Israel, por exemplo, lançou mais de um milhão de bombas racimo sobre o Líbano em sua invasão de 2006, fornecidas pelos EUA.

Durante a guerra do Vietnã, os EUA deixaram grandes áreas contaminadas com o herbicida ‘Agente Laranja’. Atualmente, mais de 35 anos depois, a contaminação com dioxina ainda está entre 300 e 400 vezes maior do que os níveis “seguros” de contaminação. Uma terceira geração pós-guerra está sofrendo defeitos no nascimento e com altas taxas de câncer resultantes desta contaminação.

A guerra de 1991 no Iraque, seguida por 13 anos de cruéis sanções, bem como a invasão de 2003 e a conseqüente ocupação do país, transformou a região – que tem uma história de 5000 anos de ser o celeiro do Oriente Próximo – é hoje uma catástrofe ecológica. A terra arável e fértil do Iraque se converteu em um pântano desértico, no qual o menor vento provoca uma tempestade de areia. O Iraque, que era exportador de alimentos, agora importa 80% de suas necessidades nesse setor. O ministro da agricultura iraquiano estima que 90% da terra sofre uma severa desertificação.

A GUERRA ECOLÓGICA NO INTERIOR DOS EE.UU.

Além disso, o departamento de defesa tem se oposto rotineiramente às ordens da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA em inglês) para limpar as bases estadunidenses contaminadas (Washington Post, 30 de junho de 2008). As bases militares do Pentágono lideram as listas dos lugares mais contaminados do Superfund (programa de defesa do meio ambiente que exige a localização e limpeza de áreas poluídas), sendo os contaminantes absorvidos por aqüíferos de água potável e pelo solo.

O Pentágono tem se oposto também aos esforços da Agência de Proteção Ambiental em estabelecer novos níveis de contaminação para os produtos químicos que se encontram em grande quantidade nas instalações militares: o perclorato, encontrado no propulsor de foguetes e mísseis; e o tricloroetileno, um desengordurante para partes de metal.

O tricloroetileno é o contaminador de água mais generalizado no país e é absorvido por aqüíferos da Califórnia, Nova Iorque, Texas, Florida e outros lugares. Mais de 1000 instalações militares dos EUA estão contaminadas com o produto. As comunidades mais pobres, especialmente comunidades negras, são as mais severamente castigadas por esse envenenamento.

As provas estadunidenses de armas nucleares no sudoeste e nas ilhas ao sul do Pacífico já contaminaram com radiação milhões de hectares de terra e água. Montanhas de dejetos radioativos e tóxicos de urânio são abandonadas em terras indígenas do sudoeste do país. Mais de 1000 minas de urânio têm sido abandonadas em reservas de índios navajos no Arizona e no Novo México.

Em todo o mundo, como nas bases antigas e ativas em Porto Rico, Filipinas, Coréia do Sul, Vietnã, Laos, Camboja, Japão Nicarágua, Panamá e na antiga Iugoslávia, encontram-se barris corroídos com produtos químicos e solventes, além de milhões de projéteis, criminalmente abandonados pelo Pentágono.

A melhor e mais dramática maneira de limpar o meio ambiente é fechar o Pentágono. O que se necessita de fato para combater as mudanças climáticas é uma completa mudança de sistema.

Fonte: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16609

Sara Flounders é co-diretora do International Action Center (www.iacenter.org/) para a Global Research. Texto publicado no site www.rebelion.org/ Tradução do espanhol de Izaías Almada.

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