Tornou-se habitual que os mercados voláteis estabelecem os preços das matérias primas
(Edward Hadas - Le Monde.fr) A recessão não acabou, mas o petróleo subiu, em um curto espaço de tempo, de 34 para 72 dólares por barril. O preço do cobre, açúcar e minério de ferro também aumentam acentuadamente.
Será o resultado do conluio entre os comerciantes, especuladores e bancos de investimento? O Financial Services Authority (FSA), regulador financeiro britânico, aborda esta questão na sequência da sua homóloga americana.
O debate é quente. Por um lado, há aqueles que se atém ao bom senso. Os Fundos investem em matéria-prima e os especuladores, por sua vez, estão à procura das flutuações do mercado. Eles tendem a ampliar as variações decorrentes do jogo natural da oferta e da procura das empresas industriais. De outro lado, há os advogados que defendem os interesses de um setor muito lucrativo: o da massa de informações equivocadas.
Pode-se, no entanto, encontrar provas reais dos "fundamentos" que determinam o preço, especialmente se tivermos em conta os parâmetros financeiros e as expectativas dos produtores.
As autoridades reguladoras estão desenvolvendo atualmente uma série de reformas, cujo eixo central é o princípio da transparência. É claro que uma maior transparência limitaria as possibilidades de manipulação, mas é difícil imaginar, por outro lado, como se poderia gerir contratos que são de grande liquidez.
No entanto, não é perseguindo os especuladores que se reduzirão a volatividade. Os mercados de matérias primas são fortemente influenciados pelos dados financeiros: o dinheiro barato o aquece, a escassez de crédito o prolonga. Tanto é assim, que eles continuam a ser um playground para os privilegiados comerciantes. Mas, mesmo que fossem retirados alguns dos especuladores do mercado, eles apareceriam imediatamente em outro lugar.
Redução da volatividade
Existem dois métodos eficazes para reduzir a volatilidade dos preços, mas eles não estão sujeitos à jurisdição das autoridades reguladoras. Uma delas é a luta contra o dinheiro barato. Uma inflação baixa, taxas de juros reais suficientemente elevadas e estáveis e a oferta de crédito controlando moderadamente a ganância dos especuladores. A outra solução, consiste em ter como referência os custos de produção em vez dos atuais cursos instantâneos. A maioria das matérias primas é extraída de minas e poços, que irão produzir durante várias décadas, e são destinadas a clientes que necessitam de um fornecimento regular e que se beneficiariam de preços estáveis. No entanto, nas últimas décadas, tornou-se habitual deixar que os mercados voláteis estabeleçam os preços, mercados que são, eles próprios, sujeitos aos caprichos financeiros, e não aos da indústria.
Se encontrarmos uma solução para reverter esse processo, já não será necessário organizar a "caça às bruxas" dos círculos especulativos.
Tradução de Juliana Silveira