O Comitê Nobel da Noruega atribuiu ainda especial relevância à visão e ao trabalho de Obama em prol da abolição das armas nucleares.
Quando o presidente do Comité Nobel, Thorbjoern Jagland, anunciou esta manhã na Norurega o Prémio Nobel da Paz de 2009, Barack Obama dormia em Washington.
Eram cinco da manhã na capital americana. Muito provavelmente, nem sonhava com a distinção, mas quando o seu porta-voz o acordou e lhe deu a notícia, mandou dizer que estava "muito honrado".
Os seus "extraordinários esforços com vista a reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos" foram apontados pelo Comité Nobel para atribuir o prestigiado prêmio.
"É muito raro uma personalidade com o perfil de Obama captar a atenção do Mundo e dar ao povo a esperança de um futuro melhor", justificou a mesma fonte acrescentando: "A sua diplomacia assenta na ideia de que os líderes mundiais têm de partilhar os valores e as atitutes da maioria da população mundial".
O Comitê Nobel da Noruega atribuiu ainda especial relevância à visão e ao trabalho de Obama em prol da abolição das armas nucleares.
"O Presidente Obama criou um novo clima na política internacional. A diplomacia multilateral recuperou a posição central, com especial ênfase para o papel desempenha pelas Nações Unidas e outras instituições internacionais", explicou ainda o Comitê Nobel.
Escolha inesperada
Esta escolha, absolutamente inesperada, faz de Obama o terceiro Presidente dos Estados Unidos a receber o Nobel da Paz. Theodore Roosevelt foi distinguido em 1906 e Woodrow Wilson em 1919.
Os observadores lembram que Obama tomou posse apenas duas semanas antes de terminar o prazo para a apresentação das candidaturas ao prestigiado prêmio, em 1 de Fevereiro.
Mais do que reconhecer resultados já alcançados, o prêmio deste ano está sendo visto como um apoio a iniciativas que poderão dar frutos: reduzir os arsenais nucleares, atenuar os conflitos entre os Estados Unidos e o mundo árabe e reforçar o papel dos norte-americanos no combate às alterações climáticas.
O unificador
Obama nasceu em Honolulu (Havai) a 4 de Agosto de 1961, quando o seu pai, um economista queniano, e a mãe, antropóloga norte-americana do Kansas, estudavam na universidade do Havai.
Os pais separaram-se quando Obama tinha dois anos e, com o casamento seguinte da mãe, foi viver em Jacarta (Indonésia) durante quatro anos, voltando ao Havai aos 10.
Formou-se em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em 1983 e em Direito em 1991 em Harvard, onde foi o primeiro afro-americano presidente da prestigiada Harvard Law Review.
Antes de chegar ao Senado dos Estados Unidos, Obama esteve sete anos no Senado do Illinois, depois de ter trabalhado como organizador da comunidade e advogado de direitos civis.
É num escritório de advogados que encontra a sua futura mulher, Michelle, mãe das duas filhas, Malia e Sasha.
Em 1992, organizou uma das maiores inscrições de votantes na história de Chicago para ajudar Bill Clinton nas eleições desse ano, mas foi na convenção do partido democrata no Verão de 2004 que roubou o protagonismo ao candidato à presidência, John Kerry, com um discurso simples.
"Não há uma América negra, uma América branca e uma América hispânica: há os Estados Unidos da América", disse.
Tendo sido eleito Senador pelo Estado de Illinois em Novembro de 2004, Obama reconheceu na apresentação da candidatura não ter passado "muito tempo conhecer os mecanismos políticos de Washington".
"Mas passei o tempo suficiente para saber que a forma de fazer política em Washington deve mudar", declarou.
Considerado um conciliador carismático, Obama anunciou oficialmente a 10 de Fevereiro de 2007 a sua candidatura à nomeação democrata para as eleições presidenciais norte-americanas e conseguiu ultrapassar uma concorrente como Hillary Clinton, algo difícil de imaginar antes do início da campanha.
A 4 de Novembro de 2008 o homem que e reivindica a herança de Martin Luther King, o apóstolo dos direitos cívicos, e do presidente John Kennedy (1961/1963), a quem é comparado em termos de juventude e sedução, tornou-se o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos da América.