Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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Mubarak rejeita transição e violência toma conta dos protestos no Egito

De acordo os manifestantes, o grupo favorável ao governo age a mando do presidente Mubarak, para tentar aterrorizar a população e diminuir a pressão popular

Publicada: 02/02/2011 - 10h56m|Fonte: Eduardo Castro - BBC|Versão para impressão|

  • Mubarak rejeita transição e violência toma conta dos protestos no Egito
Maputo (Moçambique) - Grupos pró e contra o presidente do Egito, Hozny Mubarak, se enfrentaram com pedras e tiros na tarde de hoje (2), no Cairo. Até cavalos e camelos foram usados pelos manifestantes que transformaram em campo de batalha a Praça Tahrir, que tem sido o palco das maiores manifestações conta Mubarak. O exército acompanhou o confronto praticamente sem intervir. Quando começou o período do toque de recolher, bombas de gás foram atiradas para dispersar a multidão. Várias pessoas ficaram feridas.

De acordo os manifestantes, o grupo favorável ao governo age a mando do presidente Mubarak, para tentar aterrorizar a população e diminuir a pressão popular pela sua saída. Na tentativa de retomar o controle das ruas, Mubarak anunciou ontem que não vai concorrer a um novo mandato nas eleições presidenciais marcadas para setembro.

Hoje, a oposição repetiu que quer Mubarak fora do poder e do país até sexta-feira (4). Um dos principais líderes da oposição, o prêmio Nobel da Paz Mohamed Elbaradei, chamou o posicionamento do presidente de “um truque” para manter-se no cargo.

Sem o apoio que esperava - do exército ou da comunidade internacional – Mubarak hoje ouviu do secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que é "inaceitável" um ataque aos manifestantes pacíficos. "Estou profundamente preocupado com a violência contínua no Egito", declarou Ban Ki-moon, que está em Londres.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou ser “significativo que haja uma transição ordeira, que deve ser pacífica e começar agora”. Mas o governo egípcio não aceita iniciar um processo de transferência de poder neste momento.

Líderes africanos costumam ser exageradamente resistentes na defesa dos próprios poderes, mesmo quando fica evidente que o período de poder está no fim. Para a professora Iraê Lundim, doutora em relações internacionais, isso ocorre porque pouquíssimos são os países que, em termos institucionais ou até culturais, reservam um lugar específico para seus ex-líderes, sejam eles bons ou ruins.

“É uma constatação”, diz ela, que participou do grupo que, em 1994, negociou a paz em Moçambique, processo que pôs fim a uma guerra civil de 16 anos. “Isso faz com que nossas transições, em bom número, sejam muito conflituosas. Como regra geral, ou você está no poder, ou no exílio, ou no mausoléu”, diz Iraê. Segundo ela, perder o cargo representa muito mais do que deixar de ter uma fonte de renda (honesta ou não), de exercer o poder ou de viver o “fausto de ser um líder”. Muitas vezes, é uma questão de sobrevivência.

A professora lembra que, em outros países, o quadro é diferente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Richard Nixon renunciou em 1974, acusado de mentir para o país e sob risco de sofrer processo de impeachment, no escândalo conhecido como Caso Watergate. Entretanto, depois de afastado do cargo, acabou sendo formalmente perdoado pelo sucessor, Gerald Ford, e teve seguidores e adversários até a morte.

No Brasil, o ex-presidente Fernando Collor chegou a ser formalmente afastado do poder após um processo de impeachment, cumpriu a pena política e voltou à vida pública em um cargo eletivo, de senador por Alagoas. “Não estou tentando justificar esse apego todo”, diz a professora Iraê. “Mas é importante entender porque eles [os ditadores] resistem tão enormemente.”

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