Sábado, 17 de Agosto de 2013

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Morte de cinegrafista da Band: de quem é a culpa?

Em um ótimo artigo sobre a morte do cinegrafista da Band, Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, faz as perguntas que realmente precisam ser feitas...

Publicada: 07/11/2011 - 09h47m|Fonte: Juliana Silveira|Versão para impressão|

  • Jornalista não é policial
  • Jornalista não é policial
    Foto: Conversa Afiada
Em um ótimo artigo sobre a morte do cinegrafista da Band, o jornalista Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, faz as perguntas que realmente precisam ser feitas e, mais, aponta os verdadeiros culpados pela morte do cinegrafista da Band.

Gelson Domingos da Silva, de 46 anos, foi baleado no domingo pela manhã com um tiro de fuzil e será enterrado hoje às 15 horas, no Cemitério do Caju. O cinegrafista acompanhava operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) na Favela de Antares, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, quando foi alvejado durante um tiroteio. Na ação, mais quatro pessoas morreram – todas criminosas, segundo a polícia – e oito foram presas. Gelson usava colete à prova de bala, segundo a emissora para a qual trabalhava. Mas o artefato não foi suficiente para impedir que o disparo atingisse o tórax do profissional.

As imagens de sua morte foram gravadas pelo próprio cinegrafista. Além de Gelson, estava na região do confronto o repórter da TV Bandeirantes Ernani Alves, que não se feriu e se desesperou ao ver o amigo atingido. Outros jornalistas que também acompanhavam a ação policial se esconderam atrás de um muro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio, Gerson ainda foi levado a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), onde chegou sem vida.

Leia abaixo, matéria do Conversa Afiada:

Quem matou o cinegrafista da Band ?


O primeiro suspeito é a empresa, a Band, que autoriza seus profissionais a assumir riscos que nenhum jornalista deve assumir.

Jornalista não é policial.

O segundo suspeito é o diretor de jornalismo da Band, que, provavelmente, não fez seguro de vida para a família do cinegrafista.

O terceiro suspeito é, de novo, o diretor de jornalismo da Band, que permite transformar jornalistas em protagonistas: jornalista não compete com policial nem com traficante pelo protagonismo de uma reportagem.

Além do mais, para o espectador, que diferença faz se as imagens de um tiroteio com traficantes são do cinegrafista da Band ou da própria polícia ?

E mais: por que novas imagens de tiroteio com traficantes ?

Que novidade têm ?

Que informação adicional dá ao espectador ?

Qual a diferença entre o tiroteio de ontem e o tiroteio de hoje ?

Por que os cinegrafistas só filmam da perspectiva da polícia para os traficantes e, não, dos traficantes para a Polícia ?

Porque o jornalismo brasileiro não sobe o morro.

Só entra na favela com a cobertura da Polícia.

O que se passa lá dentro – para o bem ou para mal – não interessa.

O quarto suspeito é o policial que autorizou três equipes de televisão a acompanhar um tiroteio com traficantes.

O quinto suspeito é o Comandante da PM que permitiu que um policial admitisse que três equipes de televisão acompanhassem um tiroteio com traficantes.

O sexto suspeito é o Secretário de Segurança do Rio, que permite que uma ação policial se transforme numa reportagem espetaculosa.

Para o Bom (?) Dia Brasil, porém, num mau passo do Chico Pinheiro, a morte do cinegrafista da Band é uma restrição à liberdade de imprensa.

O tom da cobertura do Bom (?) Dia Brasil foi o de incriminar a política de segurança do Rio.

Como se sabe, a política de segurança do Rio é exemplar.

Combate o tráfico como nenhuma outra do Brasil – como se sabe, São Paulo consome mais carro, geladeira e viagens a Disney que o Rio, mas, cocaína, isso o Rio consome mais.

O projeto pioneiro das UPPs é um sucesso.

Mas, a política de segurança do Rio tem um grave defeito para o jornalismo dirigido pelo Ali Kamel, esse baluarte da liberdade de imprensa para divulgar atentados com bolinhas.

A segurança do Rio não é a do Governo Carlos Lacerda.

Nos bons tempos do Lacerda, o Secretário de Segurança Ardovino Barbosa mandava bater em jornalistas.

Como os do jornal A Noite, na Cinelândia, em 1961, na crise da Legalidade.

(O ansioso blogueiro era foca da Noite e testemunhou a “liberdade de imprensa” dos lacerdistas.)


Paulo Henrique Amorim
http://www.conversaafiada.com.br

Comentários dos leitores

Confira abaixo os comentários realizados pelos nossos leitores.

  • Comentário

    40

  • Porclaudeliria (campo alegre - AL)09/11/2011 - 08h20m

    É um tristeza ver cidadões de bem sendo vitima da dandidagem, quero ver os direitos humanos tomar providencia, mais parece que só defendem bandidos.

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  • PorAndré (Porto Alegre - RS)08/11/2011 - 23h54m

    Existe traficante porque existe consumidor, existe reportagens sobre o tráfico, porque existe interesse dos telespectadores(e dá IBOPE), será que não somos quem estimula este sistema?? Culpar os outros é sempre mais fácil!!Será que não devemos rever nossos interesses, ou nossa postura ??

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  • PorAndré (Porto Alegre - RS)08/11/2011 - 23h44m

    Existe traficante, porque existe consumo de droga!! Existe reportagens sobre o tráfico!!!Porque há interesse neste tipo de reportagem(IBOPE)!!! Então será que nós população não impulsionamos o crime?? Há de se pensar sobre isto!!! Será que não devemos mudar nossos interesses??

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  • Porlf passos (pf - RS)08/11/2011 - 00h48m

    OS NOSSOS GOVERNANTES QUEREM DESARMAR A POPULAÇAO,POREM BANDIDOS ANDAM ARMADOS ATE DE FUZIL,PO SE UM REPORTER ESTA NUM LOCAL QUE E SABIDO QUE BANDIDOS ATIRAM DE FUZIL PORQUE NAO E PERMITIDO QUE SE USE COLETE PARA TAL PROTEÇAO

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  • PorWellington Oliveira (Ituiutaba - MG)07/11/2011 - 23h49m

    Sou Repórter cinematográfico a 30 anos, entendo bem a busca do melhor ângulo da filmagem, e o risco que cometemos nesta busca, me sinto envergonhado de viver neste Brasil da impunidade,da injustiça, cada dia vejo que não vai ter fim, pois assistimos mais e mais absurdos.Meus sentimentos

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40 comentários disponíveis

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