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Honduras: Mais um golpe do governo golpista em Honduras?

Zelaya respondeu dando por acabada as negociações e assegurou que não irá reconhecer o resultado das eleições.

Publicada: 06/11/2009 - 10h58m|Fonte: Juliana Silveira - Redação |Versão para impressão|0 comentário(s)

  • Michelletti anunciou, a meia-noite, que o governo de unidade se formou a tempo.
  • Michelletti anunciou, a meia-noite, que o governo de unidade se formou a tempo.
    Foto: Peridodicos.com.ar
Roberto Micheletti articulou ontem à noite (madrugada de sexta-feira), e anunciou que os ministros de seu gabinete renunciaram para "abrir caminho para um governo de união nacional" ... presidido por ele próprio.

Em termos práticos, isto significa que o presidente legítimo, Manuel Zelaya, continuará fechado e desesperado na Embaixada do Brasil e Micheletti, que chegou ao poder em 28 de junho, graças ao golpe militar, continuará no comando "de fato" desta saga surrealista .

Zelaya respondeu dando por acabada as negociações e assegurou que não irá reconhecer o resultado das eleições.

De acordo com um dos pontos do acordo alcançado na semana passada pelos negociadores de Zelaya e Micheletti, na quinta-feira, dia 5, seria formado um governo de unidade e reconciliação. O acordo, comemorado no mundo inteiro como o fim da crise porque fechava inúmeras lacunas, não dizia quem teria que presidir esse governo de unidade.

Os partidários do presidente deposto, que sabiam com quem estavam jogando, se apressaram em advertir: "Não participariam de um governo de unidade que não fosse presidido por Zelaya."

Na quarta-feira, Micheletti recebeu no palácio presidencial dois dos altos dignatários internacionais cuja missão era verificar o cumprimento do acordo, o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a secretária do Trabalho do governo de Obama, Hilda Solis. Assegurou-lhes que ele estava disposto a demitir-se do seu cargo para facilitar o caminho para a paz.

Segundo ele mesmo afirmou na noite de quinta-feira, no início desta semana havia solicitado "aos principais partidos políticos e seus candidatos presidenciais, além do Sr. Manuel Zelaya, uma lista de dez pessoas que poderiam integrar o novo governo de unidade e reconciliação." Na nota diz que recebeu uma lista de nomes e que os partidos deixaram a sua livre decisão a preparação do novo governo, mas nao diz que Zelaya, que ele nunca chama de presidente - não se prestou a sua farsa. Mas Micheletti seguiu com ela. Tal como admite em seu comunicado, na tarde desta quinta-feira chamou seus ministros na casa presidencial e pediu para que eles se demitissem.

O últmo parágrafo de sua nota diz: "Na reunião do Conselho de Ministros, todos depuseram seus cargos, para apoiar o cumprimento do acordo Tegucigalpa-San José, que segundo a sua cronologia hoje [quinta-feira, 5 de novembro] deveria formar um novo governo encabeçado pelo presidente Micheletti."

Segundo alguns jornais da europa, o curioso é que poucos minutos depois de os funcionários da casa presidencial distribuír a declaração aos jornalistas, veio outro comunicado, exatamente igual, exceto a última linha, que já não falava de Michelletti. Será que se arrepeneu? Certamente nao, pois poucos minutos depois, o Ministro da Presidência, Rafael Pineda Ponce, iniciou a sua fase de "ex-ministro" fazendo a seguinte declaração: "Sendo Micheletti o presidente constitucional da República, cabe a ele liderar o novo gabinete."

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