Antes do terremoto em Porto Príncipe a ONU nunca havia perdido tantos colaboradores em um único dia. É, sem dúvida, um dos capítulos mais negros de sua história
As mortes de 36 trabalhadores das Nações Unidas no Haiti foram confirmadas. Trata-se de 19 soldados, 13 policiais e 4 civis. Mas a lista pode crescer ainda mais. Cerca de 200 funcionários da ONU ainda estão desaparecidos.
Até agora, o acontecimento mais traumático para as Nações Unidas havia sido o atentado suicida contra a sua sede em Bagdá, em 19 de agosto de 2003, quando 22 pessoas foram mortas, incluindo o chefe da missão, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
Em Nova York, a sede das Nações Unidas vive uma espera angustiante. Ainda não há notícias do chefe da missão da ONU no Haiti, Edie Annabi.
As horas passam, as esperanças diminuem e a lista dos funcionários que morreram sob os escombros cresce inexoravelmente. Houve um único momento, nesta quinta-feira de janeiro de 2010, quando uma equipe de resgate americana encontrou um guarda estoniano ainda vivo, sob quatro metros de detritos. Depois de dar-lhe água através de um tubo, os socorristas conseguiram tirá-lo, terminando uma provação que durou 36 horas.
O homem não tinha nenhum ferimento grave. O acontecimento, qualificado de um pequeno milagre pelo secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, devolveu provisoriamente um pouco de esperança os funcionários da ONU. Mas, rapidamente, o pessimismo foi retomado. Dezenas de trabalhadores da ONU ainda estão sob os escombros, sem nenhum sinal de vida.
Antes do terremoto em Porto Príncipe a ONU nunca havia perdido tantos colaboradores em um único dia. É, sem dúvida, um dos capítulos mais negros de sua história.