Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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Governo francês reconhece forte mobilização na greve contra a reforma das aposentadorias

O Ministério do Interior reconhece um aumento do número de manifestantes nas ruas em relação às greves anteriores.

Publicada: 12/10/2010 - 09h58m|Versão para impressão|

  • Em Paris, um manifestante carrega cartaz com a frase
  • Em Paris, um manifestante carrega cartaz com a frase "64 anos, desempregado"
    Foto: Reuters
A quarta paralisação em pouco mais de um mês afeta intensamente a atividade nos portos, aeroportos, terminais ferroviários e transportes públicos nas principais cidades francesas. O Ministério do Interior reconhece um aumento do número de manifestantes nas ruas em relação às greves anteriores.

Esta é a quarta greve geral convocada pelos sindicatos de trabalhadores contra a reforma da previdência do governo Sarkozy desde o início de setembro. Duzentas e quarenta e quatro manifestações foram organizadas em todo o país, em protesto contra o projeto que aumenta de 60 para 62 anos a idade mínima para se aposentar e de 65 para 67 anos a idade para obtenção da pensão completa. Em Paris, os manifestantes caminharam de Montparnasse até a Bastilha, um percurso de pouco mais de 4 km. A Torre Eiffel, monumento símbolo da capital francesa, fechou no período da tarde por causa da adesão dos empregados à greve.

No início da tarde, no horário local, o Ministério do Interior reconheceu que o número de manifestantes nas ruas era superior ao das greves anteriores. No mesmo horário, no dia 23 de setembro havia 410 mil pessoas nas ruas contra 500 mil nas manifestações de hoje. As centrais sindicais confirmam a maior participação popular. Em Paris, onde as passeatas começaram às 13h30 no horário local, havia pelo menos 65 mil pessoas nos cortejos, segundo a polícia. Falando aos deputados na Assembleia Nacional, o primeiro-ministro François Fillon declarou que o governo manterá a reforma até sua completa aprovação no Senado.

Os transportes públicos estão afetados desde a noite de segunda-feira. Nesta manhã, apenas 25% dos trens de grande velocidade circulavam na França. Já o Eurostar, que liga Paris a Londres, funciona normalmente. No metrô parisiense, algumas linhas operam parcialmente e outras estão com tráfego normal. Como previsto, nos aeroportos da capital, 50% dos voos foram cancelados em Orly e 30% em Charles De Gaulle-Roissy, principalmente os de curta e média distância. De acordo com o Ministério da Educação, 300 escolas de ensino médio do país permaneceram fechadas, o que representa 7% do total.

O apelo à paralisação foi reforçado em direção aos jovens. Secundaristas e estudantes universitários compareceram em peso às manifestações, sinalizando a forte mobilização popular. A presença de estudantes nas manifestações anteriores foi considerada pequena e, desta vez, os líderes sindicais contaram com eles para aumentar a pressão por mudanças no projeto de reforma.

Outra preocupação do governo é com o abastecimento de combustível, já que dez das doze refinarias francesas votaram a favor da recondução da greve. Em várias categorias profissionais, como entre os metroviários de Paris, as assembleias de trabalhadores votaram pela continuidade da greve. A ideia dos sindicatos é manter a paralisação até o próximo sábado, quando está prevista uma nova manifestação nacional.

Uma sondagem de opinião do instituto Ipsos para a revista semanal Le Point mostra que a popularidade de Nicolas Sarkozy recuou três pontos em um mês, caindo para 31%, a pior avaliação desde que ele chegou ao poder em 2007.

O governo se mantém inflexível em relação aos principais pontos da reforma, como a passagem da idade mínima para se aposentar de 60 para 62 anos. No entanto, alguns itens foram modificados e o governo concedeu vantagens às mães de três filhos ou mais e aos trabalhadores com empregos precários. Na noite de segunda-feira, os senadores aprovaram a medida que eleva de 65 para 67 anos a idade mínima para a aposentadoria integral. O artigo recebeu 174 votos a favor e 159 contra. Outros artigos serão analisados até o fim desta semana e a reforma deverá ser definitivamente adotada antes do final do mês.

TAGS: APOSENTADORIA - GREVE - NICOLAS SARKOZY - SINDICATOS

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