Sábado, 31 de Julho de 2010

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Governador e ministro autorizam construção de casas no Guarituba

O ministro Paulo Bernardo enfatizou que o Guarituba é o principal projeto de urbanização de favelas e salvação de mananciais previstos no PAC.

Publicada: 28/09/2009 - 00h09m|Fonte: AE|Versão para impressão|0 comentário(s)

  • Governador e ministro autorizam construção de casas no Guarituba

  • Foto: Carlos Ruggi
O governador Roberto Requião e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, assinaram nesta sexta-feira (25) ordem de serviço para o início das obras das 803 casas do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do Guarituba, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Este é o maior programa de urbanização de favelas e salvação de mananciais em execução no País.

“Quando se propõe uma eleição, é dito para o povo que casas serão construídas, será resolvido o problema de habitação. Mas acaba a eleição e começam as pressões contra o povo. Parece que as pessoas que não têm fortuna são inimigas da sociedade e devem ser tratadas com polícia. Polícia não. As pessoas precisam de emprego, de salário, de redução da jornada de trabalho, por exemplo, para 40 horas, que é a luta de sindicatos hoje, de escolas, de casas, de respeito”, afirmou Requião.

O ministro Paulo Bernardo enfatizou que o Guarituba é o principal projeto de urbanização de favelas e salvação de mananciais previstos no PAC. “No primeiro trimestre de 2010 o presidente Lula, que lançou os PACs do Paraná aqui no Guarituba, virá para inaugurar estas novas casas e comemorar ao lado destas famílias o início de uma nova vida”, afirmou. “Além de melhorar as condições de vida da população, esta obra vai proteger os mananciais que abastecem Curitiba. Se não há saneamento, regularização de loteamentos, teremos sempre um passivo para corrigir no abastecimento de água da Capital”, salientou o ministro.

As 803 casas serão destinadas às famílias que vivem em áreas de risco, na beira dos rios Itaqui, Piraquara e Irai. Além disso, serão feitas melhorias em todo o bairro, como água encanada, coleta de esgoto, luz elétrica, pavimentação e drenagem, para que não ocorram mais alagamentos. O projeto vai receber investimentos de R$ 91,7 milhões, incluídas as contrapartidas dos governos federal e estadual.

O projeto também beneficia outras 8.087 famílias, que receberão a posse de seus terrenos, que está sendo feita em quatro cartórios da região. Segundo o presidente da Cohapar, Rafael Greca, 12 mil famílias vivem hoje no Guarituba – população maior que 90% das cidades no Paraná. Dessas, 3 mil vivem em casas já regularizadas pela prefeitura de Piraquara. “Estamos vivenciando um outro patamar da política habitacional no País. Isso faz com que se vislumbre a possibilidade de concretizar a política habitacional e de saneamento como fundamental para o desenvolvimento do País e melhorar a qualidade de vida das pessoas que mais precisam”.

Para Greca, não há nenhum outro projeto tão emblemático e de desenvolvimento humano de uma região. “Quem faria isso pelo nosso povo, se não fosse o governo de Lula e de Requião. Esta é uma obra de interesse público, feita por um Governo que está em favor do povo”, afirmou. “Com o início da edificação destas casas, que será elaborada por três empresas distintas, estamos chegando à fase conclusiva do PAC do Guarituba, que será o maior esforço do Brasil na regularização fundiária combinada com a preservação dos mananciais de uma grande cidade”, acrescentou.

O vice-governador Orlando Pessuti lembrou que em Piraquara estão os principais mananciais de abastecimento de água de Curitiba e de outros municípios, e não poderia ficar com ocupação irregular, sem condições de saneamento. Portanto, o projeto também traz benefícios ambientais ao preservar a área. Além disso, Pessuti lembrou que as famílias ocuparam o local porque não dispunham de recursos para comprar uma moradia e, por isto, o projeto da Cohapar é uma obra de inclusão social.

“Por isso Requião determinou o desenvolvimento deste projeto, transformando o que era uma favela em um bairro novo, que conta com escolas, postos de saúde, biblioteca e segurança pública. Uma obra que vai melhorar o meio ambiente e a qualidade de vida de seus moradores. É uma obra de inclusão social, de respeito à cidadania, a pessoas que não tiveram oportunidade de comprar um terreno, de construir suas casas”, disse Pessuti.

EMPREITEIROS – O governador Requião destacou que só com “decisão política e força de vontade” foi possível realizar o projeto, porque os empreiteiros queriam cobrar taxas abusivas pelas obras. “Iniciamos este projeto em parceria com o Governo Federal, mas, logo depois, a obra foi inviabilizada porque um grupo de empreiteiros que domina a terraplenagem dizia que não faria o aterro por menos de R$ 3 milhões. Era muito dinheiro para o Estado. Por isso, dispensamos os empreiteiros, o DER trouxe suas máquinas, a Cohapar alugou outras, e fizemos (o aterro) por menos de R$ 1 milhão”, contou.

O secretário de Transportes, Rogério Tizzot, também destacou que o preço cobrado pelos empreiteiros não era “justo”. “As empreiteiras não queriam chegar a um preço justo e, por isso, iniciamos a terraplenagem, junto com equipamentos alugados pela Cohapar para complementar a equipe necessária”, salientou. Segundo Tizzot, a terraplenagem está quase toda concluída – falta uma pequena parte do local onde serão construídas as casas e de um outro terreno, onde será instalado o terminal de transportes. “Mas o terreno já pode receber as moradias. Se não chover, acabamos em dois meses”, afirmou.

A dificuldade de drenar e aterrar o terreno foi destacada pelos participantes do evento. Como o solo é de turfa, um tipo de terra úmida, que afunda como areia movediça, foi preciso rebaixar em dois a três metros o lençol freático. Segundo Greca, 150 mil metros cúbicos de terra foram usados para cobrir a turfa. Também foram abertas valas para secagem dos terrenos. “Nesses últimos dois dias choveu todo o previsto para o mês de setembro, e o terreno está enxuto. Um lugar onde antes afundávamos, onde só podiam viver os sapos e os peixes, agora é um bairro novo”, afirmou, ao lembrar que na última visita ao local com o ministro Paulo Bernardo, chegou a perder um pé do sapato no solo úmido. “O trabalho de terraplenagem feito neste terreno de turfa, com todas as dificuldades de engenharia enfrentadas, foi um trabalho de ‘Hércules’ elaborado pela Cohapar e pelo DER”, frisou Paulo Bernardo.

“Este projeto é resultado de uma luta dura. Colocamos aqui 860 mil caminhões de saibro para impermeabilizar a terra, além de estacas de 12 ou 20 metros. Um projeto caro, mas para o povo, que viabiliza o direito à moradia, assegurado pela Constituição, e que segue a linha de um governo sério, da opção preferencial pelos pobres. Mais de 3 mil pessoas vão morar nestas casas. Pessoas que trabalham e com seu trabalho constroem Curitiba e Região Metropolitana. Não serão casas tão baratas como em outros lugares (com terrenos) mais enxutos e firmes, mas são possíveis para as pessoas que moram aqui. Se o povo não tiver condições de acesso à moradia, não ficar mais feliz com o Governo, o Governo não serviu para nada”, afirmou Requião.

PARCERIA – O projeto de urbanização do Guarituba é realizado em parceria entre órgãos dos governos federal, estadual e municipal. A Sanepar está executando 1.116 ligações de água e 17.871 metros de rede de esgoto, com investimentos de R$ 1,79 milhão. Já a Copel está colocando postes nas ruas e instalando a rede de energia elétrica. A primeira e a segunda fase, já concluídas, receberam investimentos de R$ 173,8 mil e a Copel está finalizando a terceira fase das obras.

A Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) elaborou o projeto e deu assistência técnica a ParanaCidade, para elaboração das obras de micro e macrodrenagem: a macrodrenagem (canal e suas interligações), com investimentos de R$ 3,6 milhões; e a microdrenagem (águas pluviais), com R$ 21,5 milhões.

Já a prefeitura de Piraquara atua na pavimentação asfáltica. Serão 50 quilômetros de ruas pavimentadas com asfalto ou paver (blocos de concreto). Na Avenida Betonex, 1.887 metros de asfalto já foram concluídos (investimentos de R$ 1,2 milhão). Na Juri Danilenko, 62,42% das obras foram executadas, numa extensão de 2.580 metros (previsão de investimentos de R$ 2,2 milhões). A prefeitura ainda é responsável pela iluminação pública – colocação de luminárias, lâmpadas e reatores.

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