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GAM: outubro foi terceiro mês mais violento do ano no país
De acordo com o informe, o mês de outubro foi o terceiro mais violento do ano de 2010 no país, atrás somente de janeiro e março.
Publicada: 23/11/2010 - 09h53m|Fonte: Karol Assunção - Adital|
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Apesar da diminuição no número de mortes violentas em relação a 2009, neste ano, as mortes na Guatemala parecem ter sido mais brutais. Isso é o que apresenta o Grupo de Apoio Mútuo (GAM) no resumo executivo do "Relatório sobre a Situação de Direitos Humanos na Guatemala e de fatos de violência de janeiro a outubro de 2010".
De acordo com o informe, o mês de outubro foi o terceiro mais violento do ano de 2010 no país, atrás somente de janeiro e março. Das 2.688 mortes violentas registradas neste ano, 292 ocorreram no mês passado. Em relação ao número de feridos, as cifras também são altas: das 1.447 pessoas feridas por causas violentas, 161 foram no mês de outubro.
"É importante ressaltar que a causa da constante violência que se vive no país, a população não ficou de braços cruzados e, em muitas ocasiões, organizam-se, utilizando métodos fora da lei para conseguir controlar de alguma forma os altos índices de delinquência, tal como ocorre com o fenômeno dos linchamentos", destaca.
Os números não deixam mentir. De acordo com a pesquisa, houve um crescimento de 12% nos linchamentos em relação ao ano de 2009. Enquanto, no ano passado, 166 pessoas foram linchadas, neste ano, GAM já registrou 189 pessoas mortas e feridas por conta dessa prática, 17 vítimas somente no mês passado.
GAM chama atenção também para o elevado número de massacres ocorridos no país. Segundo a publicação, desde a época da ditadura militar que Guatemala não registrava massacres coletivos como nos dias atuais. "Durante o mês de outubro, produziram-se 12 massacres, os quais deixaram pelo menos 40 vítimas mortais e 26 pessoas feridas", revela.
Para o Grupo, os diferentes massacres podem justificar o aumento de pessoas mortas e feridas no mês de outubro, tendência que GAM acredita que irá continuar nos próximos meses por causa das festas de final de ano e das ações de grupos criminosos. "Cabe ressaltar que ultimamente os grupos delinquentes estão utilizando menores de idade, porque estes são inimputáveis segundo a lei; estes menores, depois de serem úteis à delinquência comum e organizada, por sua, convertem-se também em vítimas", lembra.
Por conta disso, o relatório do GAM ressalta a importância de se atuar a favor de jovens e adolescentes, com educação e atividades que revelem outros caminhos diferentes da criminalidade.
Em relação às profissões mais vulneráveis à violência, a de motorista de transporte coletivo continua sendo a mais perigosa, com 111 mortos nos dez primeiros meses deste ano. Entretanto, outra profissão, a de comerciante, também preocupa o Grupo, que já contabilizou 88 mortos em 2010.
O documento também ressalta os casos de violência nas mulheres. Se comparado com o mesmo período, 2010 teve 22 mulheres vítimas de violência a mais que o ano passado. "É necessária a implementação de políticas claras e eficientes que contribuam na educação do núcleo familiar, tratando de eliminar o dano tanto físico quanto psicológico; desta forma, pode-se diminuir paulatinamente as mortes de mulheres no país", acredita.
Para finalizar a análise, GAM chama atenção para algumas questões relacionadas ao Estado de Direito na Guatemala. Em relação à Polícia Nacional Civil, por exemplo, o Grupo critica a redução no orçamento policial e sugere o aumento de efetivos e investimento em equipamentos. Da mesma forma, indica a necessidade de realização de um "plano de despistolização" das armas não registradas, que, para GAM, são as principais responsáveis pelas violações à população da Guatemala.
Com a proximidade das eleições, o Grupo também observa desrespeito referente a essa temática. De acordo com o documento, os prazos estabelecidos na Lei Eleitoral e de Partidos Políticos não estão sendo respeitados pela campanha. Por conta disso, considera importante que o Supremo Tribunal Eleitoral se pronuncie publicamente a respeito. "O Supremo Tribunal Eleitoral deve estar se pronunciando constantemente à população sobre este tema, já que se a sanção pecuniária não produz efeitos e não se pôde reformar a lei, a sanção moral e pública deve ser uma opção", conclui.
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