A França reconheceu nesta quinta-feira a liderança rebelde da Líbia - o Conselho Nacional Líbio (CNL) - como governo legítimo do país.
Trata-se do primeiro país a reconhecer o CNL - que reúne vários grupos de oposição ao regime de Muamar Khadafi.
A decisão foi anunciada em Paris pelo gabinete do presidente Nicolas Sarkozy, um dia depois de deputados do Parlamento Europeu terem exortado a União Europeia (UE) a reconhecer os rebeldes.
Sarkozy se reuniu nesta quinta-feira pela manhã, em Paris, durante cerca de uma hora, com dois enviados do CNL para discutir a crise no país, em especial a crise humana.
O governo francês informou ainda que enviará em breve um embaixador a Benghazi, cidade no leste do país onde funciona o quartel-general do CNL.
“Com base neste reconhecimento, vamos abrir uma representação diplomática em Paris e um embaixador francês será enviado a Benghazi”, declarou Ali Essaoui, um dos enviados do CNL, após o encontro com Sarkozy.
Pioneiro
A decisão do governo francês aumenta ainda mais a pressão diplomática sobre o regime de Khadafi - que está há 41 anos no poder.
A Otan deve discutir ainda esta semana opções militares para lidar com o conflito líbio, incluindo a adoção de uma zona de exclusão aérea. Países ocidentais estão preocupados com bombardeios de áreas rebeldes por forças leais a Khadafi.
Na sexta-feira, chefes de Estado e de governo da Europa devem realizar uma reunião extraordinária em Bruxelas para discutir a situação no país do norte da África. No encontro, Sarkozy deve propor um “plano global” para a crise na Líbia e, segundo a imprensa francesa, deverá tentar convencer governos europeus a aceitarem a proposta de criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia.
Segundo analistas, a França, que demorou para reagir após as revoltas populares na Tunísia e no Egito, como reconheceu o próprio Sarkozy, quer agora tomar a dianteira na Europa em relação à crise líbia.
O governo da Alemanha, entretanto, reagiu com ceticismo à decisão francesa de reconhecer o CNL.
“Considero que a situação é ainda muito confusa para saber como proceder”, afirmou o secretário alemão de Relações Exteriores, Werner Hoyer, ao jornal Frankurfer Rundschau.
“Mesmo que o governo atual tenha perdido a credibilidade, as estruturas de um governo de transição ainda não estão claras” afirmou o secretário alemão.