Filipinas: Encontrados mais corpos no local onde ocorreu massacre, 18 eram jornalistas
Com sede em Paris a organização Repórteres Sem Fronteiras disse que as mortes dos 18 jornalistas foi "o maior massacre único de jornalistas já visto".
Polícia investiga o massacre de um grupo de jornalistas e políticos no sul das Filipinas onde foram encontraram mais 11 corpos, levando o número total de mortos no ataque,a pelo menos, 57.
Os corpos foram encontrados em valas comuns na quarta-feira, perto da cena do crime, na província de Maguindanao do Sul, onde outras 46 vítimas foram encontradas após o que se acredita ser o "pior massacre por disputa política da história.
A polícia acusou formalmente um prefeito local, Andal Ampatuan Jr, como principal suspeito nos assassinatos.
Ele é o chefe do município de Datu Unsay, e o filho do governador provincial, um poderoso aliado político de Gloria Arroyo, presidente das Filipinas.
Na terça-feira Arroyo, prometeu um esforço de todos para que os responsáveis pelas mortes sejam punidos, dizendo que ninguém estará acima da lei.
Ela já declarou estado de emergência em Maguindanao e uma província vizinha, mandando centenas de tropas suplementares para a área.
Comboio Atacado
A polícia disse que eles esperam encontrar mais vítimas, pois continuam a escavar a área do massacre.
As vítimas foram seqüestradas na segunda-feira por homens armados enquanto viajavam em um comboio de campanha de Esmael Mangudadatu o candidato da oposição nas eleições para governador, marcadas para o próximo ano.
Os mortos incluem 18 jornalistas Filipino de jornais regionais, de televisão e estações de rádio que estavam acompanhando parentes de Mangudadatu e apoiantes para a homologação de sua candidatura.
Algumas das vítimas foram enterrados em uma vala comum, enquanto outros foram jogadas ao lado de uma estrada.
Mangudadatu, o candidato a governador, não estava no comboio porque tinha recebido ameaças de morte.
Na terça-feira, ele pressionou o secretário de Defesa Filipinas, chefe da polícia nacional e os comandantes militares para prender e processar imediatamente os responsáveis pelas mortes.
Mangudadatu disse que quatro testemunhas lhe disseram que o comboio foi parado por homens armados leais a Ampatuan Jr, para impedir a sua família de encaminhar documentos necessários para a eleição.
"Foi muito planejado, pois eles já tinham cavado um buraco enorme", disse Mangudadatu.
Ele disse que havia indicação de que a milícia tinha bloqueado a estrada por alguns dias.
Lágrimas e revolta
A violência sem precedentes foi repudiada nas Filipinas e em todo o mundo.
Na noite de terça-feira um grupo de jornalistas se juntou a uma marcha na capital Manila, pedindo ao Governo a realização de uma investigação rápida sobre os assassinatos.
"Não podemos mais ignorar os assassinatos de jornalistas", disse Malou Mangahas do Centro filipino de Jornalismo Investigativo.
"Todos estamos chocados, às lágrimas, especialmente por aqueles que conheciamos e sabemos que podem estar entre os mortos."
Com sede em Paris a organização Repórteres Sem Fronteiras disse que as mortes dos 18 jornalistas foi "o maior massacre único de jornalistas de todos os tempos".
Em Nova York, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, condenou o que ele disse ser um "crime hediondo cometido no contexto de uma campanha eleitoral local".
Em um comunicado emitido por um porta-voz, Ban disse que espera que "nenhum esforço seja poupado para fazer justiça e prender os assassinos e responsáveis".
Tradução e adaptação
Guia Global