Quinta-Feira, 30 de Outubro de 2014

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"Estar no Brasil hoje é rentável, e ser brasileiro também. Aproveitem!"

Extremamente otimista sobre a economia do país, Francisco Garzón afirma que “estar no Brasil hoje é rentável, e ser brasileiro também. Aproveitem”.

Publicada: 17/04/2010 - 15h46m|Fonte: Carta Maior|Versão para impressão|

  • Encontro promovido pelo Centro de Estudos Internacionais sobre Governos (Cegov), da UFRGS
  • Encontro promovido pelo Centro de Estudos Internacionais sobre Governos (Cegov), da UFRGS
    Foto: Eduardo Quadros
Em debate realizado em Porto Alegre, o vice-presidente mundial do Grupo Santander, Francisco Garzón, diz que o Brasil é fundamental para o bom desempenho do Mercosul e para as relações do bloco com a União Européia. Extremamente otimista sobre a economia do país, afirma que “estar no Brasil hoje é rentável, e ser brasileiro também. Aproveitem”.

Encontro promovido pelo Centro de Estudos Internacionais sobre Governos (Cegov), da UFRGS, debateu as relações entre Mercosul e União Européia.

O primeiro degrau rumo à integração entre países é a criação de zonas de livre comércio, com a redução e eliminação de tarifas alfandegárias. Apesar de, desde sua criação, consolidar seu funcionamento e atingir resultados expressivos, o Mercosul é uma zona de livre comércio, mas não uma zona de integração política, como a União Européia. De qualquer forma, a idéia de que o bloco contribui para a criação de um clima receptivo de expansão do comércio foi unânime durante a Conferência Internacional Mercosul e União Européia: integração e desenvolvimento. Para o vice-presidente mundial do Grupo Santander, o espanhol Francisco Garzón, o Brasil é fundamental para o bom desempenho do bloco. Extremamente otimista sobre a economia do país, afirma que “estar no Brasil hoje é rentável, e ser brasileiro também. Aproveitem”.

Para o mediador do encontro realizado quinta-feira (15) no Hotel Embaixador, em Porto Alegre, Paulo Visentini, as formas de atuação do Mercosul e da União Européia são distintas, mas a simples idéia de cooperação seguida por ambos é fundamental para o desenvolvimento de cada um dos países que compõem os dois blocos. O presidente do Centro de Estudos Internacionais sobre Governos (Cegov), da Ufrgs, afirma que não existem fórmulas a serem copiadas, embora “a concepção de que um país avance sozinho sem os parceiros que o cercam caiu. O Brasil entendeu isso”. Do ponto de vista comercial, o Mercosul trouxe uma rápida transformação no comércio, com crescimento em taxas elevadas das trocas entre os países integrantes. A importância do Mercosul para o Rio Grande do Sul é revelada pelo crescimento das exportações gaúchas.

O sociólogo Marco Aurelio Ruediger, da Fundação Getúlio Vargas, concorda. “O Brasil muitas vezes funciona como tradutor das relações internacionais do bloco. A resultante disso é que o país aumentou inclusive a representação brasileira em embaixadas e consulados pelo mundo. Quanto mais o comércio exterior aumenta, a vulnerabilidade diminui. E na medida em que se aumenta a horizontalidade das relações, a agenda com países hegemônicos se torna menos vertical”, avalia o terceiro componente da mesa.

Para ele, a presença do Brasil no Mercosul aumenta o poder de barganha internacional. No entanto, Ruediger ressalta que o bloco não é a única forma de atuação perseguida e que o país deve atuar em mercados cada vez mais distintos. A solidificação do espaço para os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) também figura na tese de Ruediger. “Quem vai liderar a recuperação da crise vão ser os Brics”, resume.

Garzón imprime otimismo nas ações do Grupo Santander no país e na economia brasileira como um todo. Para o vice-presidente mundial do Grupo, o Brasil deixou no passado e estigma de ser o quinto país com maior desigualdade social do mundo. “Viemos investir aqui porque sabíamos que não poderíamos ser investidores na América Latina se não estivéssemos no Brasil”, diz. Garzón relembra do final dos anos 1990, “quando o risco país era altíssimo e as eleições presidenciais estavam próximas, parecia inevitável o que ia acontecer. De todo modo, havia um receio em relação à vitória do Presidente Lula”.

Segundo Garzón, o atual pré-candidato a governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, foi fundamental para gerar confiança em relação à candidatura de Lula na época. “Para mim, foi importante ver como estas forças viam o futuro do país. E a economia brasileira cresceu, os investidores estrangeiros estão animados, o The Economist fala uma semana sim e na outra também do Brasil. Não é a revolução, mas funcionou”, afirma. Tarso Genro estava na platéia, assim como a candidata a presidência pelo mesmo partido, Dilma Roussef, em agenda no Rio Grande do Sul durante o final desta semana.

Garzón defende que falta muito, mas que o Brasil está no rumo certo. E elogia a formação de blocos como o Mercosul. “Enquanto o México olha para o norte, o Brasil olha para o sul. Se os dois países trabalhassem juntos, por exemplo, poderiam ser a Alemanha e a França da América Latina”, aposta o vice-presidente do terceiro banco privado por volume de ativos no Brasil e o primeiro entre os bancos internacionais. A Conferência Internacional Mercosul e União Européia: integração e desenvolvimento foi uma promoção do Centro de Estudos Internacionais sobre Governos (Cegov), da Ufrgs.

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