Sábado, 07 de Junho de 2014

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Estados Unidos levam o ouro da Ucrânia mas não devolvem o da Alemanha

Todas as reservas de ouro da Ucrânia foram levadas para os EUA no último 7 de março

Publicada: 17/03/2014 - 22h47m|Fonte: Pragmatismo Político|Versão para impressão|

  • Por que os EUA levaram todas as reservas de ouro da Ucrânia e não devolvem o ouro que guardam da Ale
  • Por que os EUA levaram todas as reservas de ouro da Ucrânia e não devolvem o ouro que guardam da Ale
Com as reservas de ouro da Ucrânia, assistimos a um novo capítulo – e escândalo – no conflito deste país do leste da Europa na hegemonia e dominação dos Estados Unidos.

As reservas de ouro da Ucrânia foram transladadas na madrugada da sexta feira, 7 de março, para os Estados Unidos, segundo informa o diário russo Iskra, de acordo com fontes de um ex-alto funcionário do Ministério das Finanças ucraniano. Esta informação é confirmada pelo ex-executivo do Goldman Sachs, William Kaye, numa entrevista feita pelo King World News, que salienta que o ouro ucraniano foi levado por um longo período de tempo.


Os fatos

Aproveitando a escuridão da noite, às 2h da manhã de sexta feira, quatro caminhões e dois minibus sem matrícula chegaram ao aeroporto Boryspil, de Kiev, e transladaram a pesada carga para um avião. Uma equipe de quinze pessoas, com uniformes negros, máscaras e metralhadoras, realizaram o transporte das caixas para o avião.

Foi tudo feito com grande pressa e, ao terminar a carga, o avião descolou com caráter de urgência. No aeroporto não foi facultada nenhuma informação sobre o sucedido e os funcionários declararam não saber o que estava a ocorrer, ainda que tenham considerado o fato incomum.

Um ex-alto funcionário do Ministério das Finanças da Ucrânia confirmou que a nova liderança ucraniana, apoiada pelos Estados Unidos, ordenou o transporte do ouro para o Banco Central desse país. De acordo com o World Gold Council, as reservas de ouro da Ucrânia eram de 42 toneladas em fevereiro deste ano, equivalentes a quase 2 bilhões de dólares (de ouro, a 1.370 dólares a onça), que bem podem compensar os 5 bilhões de dólares (em dinheiro) com os que Estados Unidos apoiaram a extrema direita que hoje está no poder ucraniano.

O ouro alemão

O que causa maior assombro é a rapidez com que os Estados Unidos levaram o ouro da Ucrânia. Em janeiro do ano passado, a Alemanha solicitou aos Estados Unidos a repatriação do ouro alemão, que está sob custódia da Reserva Federal em Fort Knox.

No entanto, durante todo o ano de 2013, os Estados Unidos apenas liberaram 33 toneladas de ouro das 1.500 toneladas que guardam da Alemanha. Recordemos que, em finais de 2012, e ante a pressão exercida pela guerra de divisas, o Escritório Federal de Contas da Alemanha criticou o Bundesbank por não supervisionar adequadamente as suas reservas de ouro.

Os títulos mundiais de ouro dos países em fevereiro de 2014, de acordo com o World Gold Council, eram as seguintes:



Como assinalamos neste post, o Bundesbank declarou que todo o ouro alemão deve estar de volta nas abóbadas de Frankfurt antes de 2020. O que deve ficar bem claro para a Alemanha é que, ao atual ritmo de 33 toneladas anuais a que os Estados Unidos devolvem o ouro, este país demorará mais de 40 anos a concretizar o pedido do Escritório de Contas da Alemanha (ainda que se o fizesse ao ritmo com que saqueou as reservas da Ucrânia, levaria menos de 15 dias).

Os alemães deveriam dizer algo sobre este tema. O concreto é que se a Ucrânia pediu à Reserva Federal a custódia do ouro deve ter noção de que este não lhe será devolvido com a mesma velocidade, tal como está ocorrendo com a Alemanha. Ou seja, o ouro iniciou uma longa viagem, talvez sem volta.

De acordo com o World Gold Council, estes são os principais países proprietários de ouro:



Se os Estados Unidos têm tanto ouro como dizem as estatísticas do World Gold Council, por que não apressam a devolução do ouro à Alemanha? E por que é que a Alemanha não pressiona mais os Estados Unidos para a devolução do ouro? Uma resposta curta é a seguinte: ambos os países pendem por um fio – os Estados Unidos pelo dólar, e a Alemanha pelo euro.

A brecha destas moedas fiduciárias põe em perigo a hegemonia destes dois países. E a diferença face a outra época é que hoje nenhum deles pode suportar uma nova guerra para se manter em pé. Há que apelar à simples fraude às claras.

Os Estados Unidos não têm todo o ouro que declaram (pelo menos, fisicamente), e a Alemanha também não é 100 por cento dona do ouro que diz possuir. Ambas as falhas se complementam. Por sua vez, a China durante 2013 comprou 40 toneladas de ouro… por semana.


Texto original postado por Marco Antonio Moreno

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