Para Zé Maria, a presença das tropas no país caribenho serve para defender interesses econômicos de multinacionais que se instalam no Haiti para explorarem a mã
Organizações e entidades da sociedade civil, de vários países se empenham para enviar ajuda humanitária ao Haiti. Durante as atividades do Fórum Social Mundial (FSM) temático que aconteceu, neste final de semana, em Salvador, capital da Bahia, no nordeste brasileiro, a Coordenação Nacional de Lutas, Conlutas, reforçou a proposta de ajuda ao povo haitiano.
De acordo com o Coordenador da Conlutas, Zé Maria de Almeida, o chamado para a campanha de solidariedade classista ao Haiti "Solidariedade sim. Ocupação não", aconteceu imediatamente após a catástrofe. Desde então, as entidades parceiras já se movimentaram para arrecadar recursos que serão destinados ao povo haitiano para a reconstrução do país.
Mas, segundo ele, além da captação de recursos financeiros, foi identificada a necessidade de intensificar a campanha de retirada das tropas militares. "São mais de mil soldados que fazem parte das tropas da ONU que são lideradas pelo Brasil".
Ele comentou sobre o envio, feito na semana passada pelo governo brasileiro, de mais 900 soldados de infantaria para reforçar a presença militar do Brasil no Haiti, "mas porque não mandaram 900 médicos no lugar dos soldados?", questionou. "O povo haitiano precisa de solidariedade, não de tropas".
Para Zé Maria, a presença das tropas no país caribenho serve para defender interesses econômicos de multinacionais que se instalam no Haiti para explorarem a mão-de-obra do povo haitiano.
O coordenador da Conlutas também explicou que a entidade prefere arrecadar dinheiro em virtude da facilidade de envio, que deve ser feito por meio de conta bancária. Segundo ele, o dinheiro será destinado diretamente aos trabalhadores que atuam na reconstrução do país, por meio da organização popular haitiana Batay Ouvriye.
Até o final desta semana deve ser efetuado o primeiro depósito em favor do Haiti. A estimativa é que seja depositado algo entre 50 e 70 mil dólares, segundo Zé Maria. Em dois meses a entidade pretende arrecadar mais U$ 200 mil. "No total, devemos ter arrecadado entre 250 e 300 mil dólares para o povo haitiano", disse.
Vivendo no Brasil há cerca de dois anos, o haitiano Frank Seguy, também participou das atividades do FSM. Na ocasião, ele reforçou a importância da campanha de solidariedade organizada pela Conlutas e disse que não acredita na ajuda humanitária dos países imperialistas. "Já passamos por fortes furacões que destruíram cidades também, e, apesar da tal ajuda, hospitais, escolas, nem moradias foram reconstruídas".
Segundo o coordenador da Conlutas, o haitiano Frank é membro de uma organização universitária, cujo principal dirigente foi morto a tiros duas horas antes do terremoto de 12 de janeiro. Frank participa da campanha "Fora as tropas do Haiti" e também de debates e palestras no Brasil com o intuito de esclarecer os brasileiros sobre o real significado da presença das tropas militares no Haiti.
Quem quiser contribuir com a Campanha "Solidariedade sim. Ocupação não" da Conlutas, em favor do Haiti, pode fazer um depósito de qualquer valor na conta que foi aberta especialmente para a causa. Um extrato detalhado será posteriormente disponibilizado para conferência das arrecadações e depósito para a Batay Ouvriye.
Banco do Brasil
Favorecido: Coordenação Haiti
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