Encerrada campanha eleitoral no Afeganistão: ameaças e incertezas sobre a disputa eleitoral
Nesta segunda-feira, o candidato da oposição reuniu cerca de 10 mil pessoas em um comício espectacular no estádio da capital Cabul.
A campanha eleitoral para as eleições presidenciais e regionais no Afeganistão termina nesta segunda-feira, em meio a ameaças terroristas e a incertezas sobre uma disputa mais acirrada do que o previsto.
O atual presidente Hamid Karzai, que chegou ao poder no final de 2001 após a queda dos rebeldes talibãs, é apontado como o candidato favorito, com 44% das intenções de voto. Mas o dinamismo da campanha eleitoral de alguns de seus adversários, principalmente a do ex-ministro das Relações Exteriores, Abdullah Abdullah, que tem 25% das intenções de voto, pode forçar um segundo turno no Afeganistão.
Nesta segunda-feira, o candidato da oposição reuniu cerca de 10 mil pessoas em um comício espectacular no estádio da capital Cabul. Os partidários de Abdullah, vestidos com bonés azuis, agitavam bandeirinhas enquanto um helicóptero lançava panfletos sobre a multidão.
Ameaças
A ameaça terrorista também pesa sobre a votação desta quinta-feira. Os rebeldes talibãs, que até agora não tinham ameaçado diretamente a população civil, passaram a falar em atacar os locais de voto. Panfletos distribuídos neste domingo pelos rebeldes, no sul e norte do país, pediam à população que permanecesse em casa e não fosse às urnas.
Um porta-voz talibã disse que todas as seções eleitorais são alvo de ataques. "Nós usaremos novas táticas visando os centros de votação. Se alguém ficar ferido perto desses locais, será sua própria responsabilidade, pois todo mundo foi informado", disse o porta-voz à agência de notícias France Presse.
Apesar de Karzai e seus aliados ocidentais tentarem negociar um acordo de paz com os talibãs, os radicais islâmicos exigem, como pré-requisito para qualquer negociação, a saída das tropas estrangeiras do Afeganistão.
Chefes tribais
Incertezas também marcam a futura composição do governo de Hamid Karzai, caso seja reeleito. O atual presidente do Afeganistão tem costurado alianças com chefes tribais vistos com desconfiança pelos países ocidentais, principalmente pelos Estados Unidos, que temem o retorno ao poder dos chefes de guerra que lideraram os violentos combates que dizimaram o país na década de 90.
O mais inquietante deles é Abdul Rashid Dostum, um antigo general comunista exilidado na Turquia. Neste domingo, Cabul deu expressamente o sinal verde para a volta de Dostum ao Afeganistão, provavelmente para que o ex-general possa apoiar a candidatura de Karzai. Abdul Rashid Dostum teve 10% dos votos nas eleições de 2004.
Um diplomata norte-americano chegou a confirmar a agências de notícias que os Estados Unidos estão preocupados com o papel que Dostum teria no novo governo, lembrando "sua participação em violações em massa dos direitos humanos".
As eleições desta quinta-feira são consideradas também um teste para o presidente norte-americano, Barack Obama, que enviou mais 30 mil homens para reforçar a força internacional que atua no Afeganistão