Sábado, 17 de Agosto de 2013

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Em Paris, Lula garantiu que não teme a crise pois conviveu com ela por toda a sua vida

O ex-presidente Lula falou nesta quarta-feira, no encerramento do Fórum pelo Progresso Social, organizado pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean Jaurès, em Pa

Publicada: 12/12/2012 - 21h24m|Fonte: A Redação l com informações do Opera Mundi|Versão para impressão|

  • Em Paris, Lula garantiu que não teme a crise pois conviveu com ela por toda a sua vida
Com informações do Portal Opera Mundi e RFi

Tendo como foco de seu discurso a crise econômica, Lula disse que já é hora de entrar na fase de soluções para a crise. Segundo ele, sempre que há um problema alguém diz que vai criar um comitê de crise. "Eu criei muitos comitês, mas não pude avançar até que se oferecessem soluções, que é quando as pessoas pensam de maneira positiva".

Em sua avaliação os problemas se agravaram devido a demora em buscar soluções, mas que ainda há tempo para encontrá-las e que é "menos difícil encontrar uma solução em tempo de paz do que de guerra".

Diante do auditório lotado da Fundação Jean-Jaurès, Lula se valeu de sua própria experiência para apontar medidas de combate à crise que assola a União Europeia. "Ô, Jospin!", ele interpelou o ex-primeiro ministro francês Lionel Jospin, que abriu a conferência e assistia ao discurso da primeira fila. "Cada vez que acontece uma desgraça na nossa vida, aparece alguém e fala o seguinte: vamos criar um comitê de crise. Você criou comitê de crise? Eu criei muitos. Mas eu só fui para a frente, quando comecei a criar comitê de soluções". Para Lula, a crise propicia uma oportunidade extraordinária de repensar práticas políticas.

Solidariedade capitalista, no lugar do predatorismo financeiro, é uma delas: "Por que o mundo desenvolvido, que está com problemas de consumo, não cria mecanismos de financiamento para que os países africanos recebam financiamento de longo prazo, a juros mais baratos, para poder começar a desenvolver uma indústria, uma agricultura... Isso vai virar o quê? Isso vai virar uma região em desenvolvimento, que vai gerar mais poder de consumo e vai comprar produtos dos países desenvolvidos". É a fórmula que o ex-presidente define de forma simples: se precisamos de mais crescimento, precisamos de mais crédito; para ter mais crédito, mais comércio, para mais comércio, mais consumo. "Tudo isso junto significa que nós precisamos de mais empregos e mais salários". Em outras palavras, é a antítese da máxima de que é preciso fazer crescer o bolo para depois repartir. "É preciso distribuir para crescer".

Lula também reiterou que os órgãos internacionais de decisão carecem de representatividade. "Tudo no mundo está globalizado. Você vê o time da França jogar, o que menos tem é francês (...). A economia está globalizada, qualquer banco na França é banco no Brasil". De acordo com o ex-presidente, a única coisa que não foi globalizada foi a política. "A política ainda está subordinada aos interesses eleitorais de cada país, de cada partido", disse sob aplausos. Lula defendeu a criação de fóruns multilaterais mais representativos, que elevem o volume de vozes alternativas no plano internacional. "Qual foi o fórum que decidiu que o dólar seria a moeda (do comércio internacional)?", perguntou para a plateia calada, antes de afirmar que ninguém decidiu que o diretor do FMI tem que ser europeu e o do banco mundial, americano, como se convencionou.

Ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva

12/12/2012

Ouvir (00:27)


Lula ainda perguntou aos dirigentes franceses se eles estavam exercendo democracia em sua plenitude, se estavam ouvindo a sociedade para encontrar soluções contra a crise. "É preciso criar instrumentos e mecanismios de mais solidariedade, de mais democracia, para que as decisões não fiquem subordinadas a quem tem mais dinheiro, a quem tem mais indústria ou a quem tem a economia maior". Lula lembrou o caso do banco Lehman Brothers, cujo pedido de falência, em 2008, marcou o início simbólico da crise da dívida. "O que eu acho fantástico é que o Lehman Brothers quebra, ninguém vai preso e ele recebe os trilhões que os países pobres não recebem no mundo".

Antes de pedir que o povo francês não perca a esperança, Lula disse que a crise é de responsabilidade de ilustres desconhecidos. "Quando o político é denunciado, a cara dele sai de manhã, de tarde e de noite no jornal. Vocês já viram a cara de algum banqueiro no jornal? Sabe por que não sai? Porque é ele que paga a propaganda dos jornais". Lula, que ensina a Europa a combater a crise, não paga propaganda.

Depois de Paris, o ex-presidente passa a quinta-feira em Barcelona, onde recebe o Prêmio Internacional da Catalunha. Na sexta, Lula volta para o Brasil.

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