Segunda-Feira, 27 de Outubro de 2014

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Em carta, Irã reitera que urânio será usado para fins pacíficos e pede compreensão sobre acordo

O governo Ahmadinejad informa ainda que a expectativa é que a agência preste esclarecimentos sobre o acordo ao Grupo de Viena – Estados Unidos, Rússia e França

Publicada: 24/05/2010 - 21h44m|Fonte: Renata Giraldi - Agência Brasil|Versão para impressão|

O governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na carta enviada hoje (24) à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), preocupou-se em detalhar o acordo que determina a troca do urânio e informar que o programa nuclear iraniano é pacífico. Em 13 parágrafos, as autoridades iranianas reiteram que o país é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas. Também ressalta que inspetores da agência e da Turquia poderão acompanhar todo o processo. Por fim, destaca que confia na aprovação do acordo.

As informações são da rede de televisão estatal do Irã, PressTV. “[O urânio será utilizado] como combustível para o reator dedicado à produção de radioisótopos para fins médicos e prestação de serviços médicos para cerca de 1 milhão de pessoas”, diz a carta.

A carta diz ainda que “a República Islâmica do Irã espera que os direitos inalienáveis consagrados no Estatuto da Aiea e no Tratado de Não Proliferação de Armas [TNP], bem como as atribuições legais da agência na prestação de serviços aos estados-membros, devem ser reconhecidos e respeitados, assim o resultado [das atividades] da agência não deve ter discriminação.”

O governo Ahmadinejad informa ainda que a expectativa é que a agência preste esclarecimentos sobre o acordo ao Grupo de Viena – Estados Unidos, Rússia e França, além da própria Aiea – e ao final, tenha uma resposta positiva. “Esta ação, pela declaração [referindo-se à Declaração de Teerã que é o acordo em si], abrirá o caminho para iniciar a negociação de mais detalhes sobre a troca que levará à celebração de um acordo escrito, assim como fazer negociações entre o Irã e o Grupo Viena.”

No texto, as autoridades informam ainda, em linhas gerais, que no último dia 17, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmadinejad, além do primeiro-ministro da Turquia, Tyyiq Erdogan, negociaram a chamada Declaração de Teerã – acordo sobre a troca de urânio. “A República Islâmica do Irã reitera sua concordância com o conteúdo da declaração conjunta”, diz a carta.

O governo do Irã reitera o compromisso com o TNP e o uso pacífico de todo o processo de pesquisa e produção de energia nuclear. “Reafirmamos nosso compromisso com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e em conformidade com os artigos relacionados com o TNP”, diz a correspondência. “[Isso] inclui o desenvolvimento de pesquisa, produção e utilização da energia nuclear - bem como o ciclo do combustível nuclear, incluindo as atividades de enriquecimento - para fins pacíficos, sem discriminação.”

Na carta, o governo iraniano diz ainda que o acordo é a oportunidade para a criação de uma atmosfera “positiva, construtiva e de não confronto”. “Acreditamos que a troca de combustível nuclear é fundamental para o lançamento da cooperação em diferentes áreas, especialmente no que diz respeito à cooperação nuclear para fins pacíficos, incluindo a construção de reatores de investigação”, informa o documento.

Na parte final do documento, o Irã destaca que a operação “poderá” ser monitorada por inspetores iranianos e da Aiea, assim como da Turquia. Pelo acordo, o Irã enviará 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 3,5% para a Turquia. Em troca, no período de até um ano, a Turquia remeterá 120 quilos de urânio enriquecido a 20% para o Irã. A carta é assinada pelo chefe da Agência Iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi.

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