Sábado, 29 de Março de 2014

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Eleições 2010: Acabou o PIG ou a mídia ficou boazinha?

O ideal seria que estes movimentos da nossa imprensa fossem menos equívocos e mais transparentes.

Publicada: 28/08/2010 - 23h17m|Fonte: Observatório da Imprensa|Versão para impressão|

Por Alberto Dines em 24/8/2010

O acrônimo sumiu: o Partido da Imprensa Golpista, PIG, criado entre o primeiro e segundo turno das eleições de 2006 por uma ala de críticos da imprensa, foi mencionado no comecinho da presente temporada eleitoral e, de repente, desativado.

É uma boa notícia, qualquer que seja o ângulo de observação.

Pode ser encarada como um atestado de bom comportamento eleitoral da imprensa. Ou como indício de que certos setores da crítica da mídia cursaram um "intensivão" de boas maneiras e adotaram posturas mais urbanas, científicas.

Custa crer que a grande imprensa tenha iniciado na clandestinidade o processo de autorregulamentação, afinal a decisão sequer foi votada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) conforme se evidencia pela leitura das edições de sábado (21/8) dos jornalões (ver "ANJ, o fim da unanimidade" e "ANJ anuncia autorregulação")

Mais verossímil e mais facilmente comprovável é a hipótese de que antes do debate na Rede Bandeirantes os principais grupos de comunicação foram persuadidos a achar que a candidata Dilma Rousseff é "a cara". Num passe de mágica passou de insegura para mais natural enquanto os guerrilheiros anti-PIG ofereciam como contrapartida o fim das recriminações.

Mais transparência

Tudo isso é muito bom, excelente. Claro indício da maneabilidade das elites brasileiras empenhadas em não repetir o perigoso confronto governo vs. mídia dos países vizinhos e hermanos.

A nova cordialidade talvez explique porque nenhum dos 1.293 nomões que enfeitam as colunas de opinião da grande imprensa ousou comentar as declarações do presidente Lula de que em caso de vitória da candidata Dilma, continuará dando palpites. A metáfora do terceiro mandato não ocorreu a nenhum destes sutis analistas nem inspirou a legião de bacharéis que freqüentam nossa imprensa a comentar a ostensiva participação do presidente da República na campanha eleitoral. É legal, mas não pega bem.

O ideal seria que estes movimentos da nossa imprensa fossem menos equívocos e mais transparentes. Assim ficaríamos livres do PIG e do PC do P (Partido dos Criadores do PIG).

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