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Documentário estréia no cinema em clima de emoção
otado, o auditório carioca se manifestou durante diversos momentos, inclusive com aplausos constantes durante a projeção.
Publicada: 04/08/2009 - 14h33m|Fonte: Brasil de Fato|
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Leandro Uchoas (Rio de Janeiro) - Era nítido. A festa foi armada para emocionar. E funcionou. O lançamento do filme “O petróleo tem que ser nosso – última fronteira”, no Odeon, Centro do Rio, nessa quinta (30), teve inúmeros momentos de emoção, embora com um ou outro equívoco. Lotado, o auditório se manifestou durante diversos momentos, inclusive com aplausos constantes durante a projeção.
Antes do filme, criou-se um clima de nacionalismo que se sabia preciso, dada a necessidade de se formar unidade em torno de uma bandeira importante, de construção de completo protagonismo nacional na exploração do pré-sal. Cantou-se o hino nacional, seguido de intervenções de um coral improvisado. “Aluga-se”, de Raul Seixas, e “Vamos à luta”, de Gonzaguinha foram cantadas e encenadas pelo coral (é verdade que foi um pouco cafona, mas perdoável).
Durante a projeção, o filme demonstrou total sintonia com as opiniões da platéia. O que se viu foi uma sequência de excelentes intervenções de João Pedro Stedile a Carlos Lessa, de Chico Alencar a Brizola Neto, de Paulo Betti a Zé Maria. Buscando oportunamente formar unidade, o filme apresentou posicionamentos distintos, mas em sintonia com a busca pela exploração totalmente nacionalizada. “É um filme plural. Não há uma posição única”, já prometia o diretor Peter Cordenonsi.
Mesmo com tinturas distintas, as argumentações se sucediam em sintonia. Enquanto um condenava os leilões de petróleo, outro defendia a utilização social dos recursos provenientes da exploração. E como é de costume, a preocupação com o didatismo de sua intervenção veio de um ator, Paulo Betti. Mas a grande estrela do filme foi, definitivamente, uma senhora (lamentavelmente, uma das duas únicas mulheres entrevistadas).
Cada participação de Maria Augusta Tibiriçá – veterana de 92 anos da campanha “O Petróleo é Nosso” –, era seguida de palmas e gritos da platéia. De um vigor e uma potência cívica invejáveis, a médica foi eleita a “musa” do filme. Em termos de conteúdo, o filme só pecou por tratar pouco da necessidade de se construir outra matriz energética, menos danosa ao meio-ambiente. Apenas Chico Alencar e Marcos Arruda tocam no tema, tão caro em cenário de caos ambiental como o atual.
Tecnicamente, o filme deixa um pouco a desejar. Tratamentos estéticos diferenciados aos entrevistados não se justificavam. Imagens de manifestações foram exibidas em preto e branco, e em certo momento uma mosca invadiu o enquadramento. Para um filme inteiramente pago por movimentos sociais e sindicais, totalmente perdoável. O filme termina com uma questionável porém retórica previsão de César Benjamim, e uma surpresa após os créditos. Vale assistir para conferir.
Ao final, a platéia emocionada presenciou a homenagem aos três veteranos presentes da campanha “O Petróleo é Nosso”, que começou ali mesmo, na Cinelândia, nos anos 40. Reinhold Schopke, diretor do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-RJ), o advogado e ex-deputado federal Modesto da Silveira, e Maria Augusta Tibiriçá. “Não considero essa uma outra luta. Pra mim, é a continuação da mesma” disse, sob incansáveis aplausos. A veterana elogiou a campanha por manter os três pilares que, segundo ela, levarão à vitória: um objetivo claro e definido; a unidade supra-partidária (“e supra-tudo”, disse); e a organização de norte a sul do país.
Após a projeção, já se fez sentir, em parte, o sucesso da intenção inicial. Algumas pessoas se mobilizaram para organizar comitês da campanha “O petróleo tem que ser nosso” em suas regiões. A despeito de alguns poucos equívocos, estéticos e discursivos, o filme tende a ser a mais importante ferramenta de formação e proliferação de consciência cívica da campanha.
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