Segunda-Feira, 01 de Julho de 2013

Página Inicial>Brasil

De costas para o Brasil

A saturação da narrativa antecedeu o esgotamento do meio. Ao ocupar diariamente suas páginas com a reprodução da mesma matéria...

Publicada: 10/06/2013 - 14h02m|Fonte: Carta Maior|Versão para impressão|

O colapso da mídia conservadora chegou antes da falência do país, vaticinada há mais de uma década pelo seu jornalismo. Estadão, Abril, Folha, Valor lideram a deriva de uma frota experiente na arte de sentenciar vereditos inapeláveis sobre o rumo da Nação, enquanto o seu próprio vai à pique.

As corporações que fazem água nesse momento não são entes genéricos; não praticam qualquer jornalismo; não reportam qualquer país, tampouco adernam num ambiente atemporal. Uma singularidade precisa ser reposta: o jornalismo dominante virou as costas ao país. Se a tecnologia envelheceu o suporte, o conservadorismo esférico mumificou a pauta.

A saturação da narrativa antecedeu o esgotamento do meio. Ao ocupar diariamente suas páginas com a reprodução da mesma
matéria --o 'fracasso do Brasil', as corporações contraíram um vírus fatal ao seu negócio: o bacilo da previsibilidade.

Há quanto tempo as manchetes, colunas e reportagens disparadas do bunker dos Frias deixaram de surpreender o leitor? Existe algum motivo para ler amanhã um jornal que hoje tem a frase seguinte antecipada na anterior? E na anterior da anterior e assim sucessivamente? O golpe de misericórdia tecnológico,no caso brasileiro, talvez seja apenas isso. Uma gota d'água adicional em um galeão trincado de morte pelo seu próprio peso.

O naufrágio serve também de alerta à comunicação progressista brasileira

Comentários dos leitores

Confira abaixo os comentários realizados pelos nossos leitores.

 
Siha nos no Twitter

Recomendações Facebook