No dia 27 de outubro aconteceram 5.296 contatos online entre palestinos e israelenses, 7.965 mil diálogos entre sérvios e albaneses...
Postado por Carlos Castilho em 31/10/2009 às 4:59:18 PM
No dia 27 de outubro aconteceram 5.296 contatos online entre palestinos e israelenses, 7.965 mil diálogos entre sérvios e albaneses, 7.231 conversas entre indianos e paquistaneses e 14.586 mensagens trocadas entre gregos e turcos, dois povos que vivem às turras desde 1922.
É o que registrou a página Peace on Facebook, organizada pela rede social Facebook em pareceria com o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) para promover na internet contatos bilaterais apartidários entre protagonistas de conflitos políticos, religiosos e étnicos ao redor do mundo.
Os diálogos em curso na página Peace On Facebook acontecem numa rede social que tem cerca de 300 milhões de usuários em todo o planeta e podem ser acompanhados por qualquer pessoa. Além dos conflitos mencionados no primeiro parágrafo, o site registra ainda os contatos entre os seguidores de duas vertentes antagônicas do islamismo, os sunitas e shiitas, entre católicos e protestantes na Irlanda e até entre adversários políticos como os democratas e republicanos, nos Estados Unidos.
Cada uma destas situações de conflito é monitorada a partir de mensagens deixadas em páginas da rede Facebook. O projeto monta um gráfico da evolução diária dos contatosem cada conflito ao mesmo tempo em que promove uma pesquisa, também diária, sobre as expectativas de paz no mundo, com consultas a 500 usuários da rede social em 12 países diferentes.
A pesquisa sobre expectativa de paz mostrou que os norte-americanos são os mais pessimistas, pois só 8,5% acreditam na possibilidade de todas as guerras serem eliminadas dentro dos próximos 50 anos. Os mais otimistas, acredite quem quiser, são os e os israelenses (29,3%) e os colombianos (39%).
Os diálogos impossíveis também acontecem na blogofera, o universo virtual dos weblogs, como mostrou Charles Cameron, da página Smart Mobs no texto em que conta o caso de John Robb um especialista inglês em anti-guerrilha que conversa via seu blog Global Guerrillas com o líder do principal grupo rebelde da Nigéria, responsável por danos avaliados em 50 bilhões de dólares em conseqüência de atentados contra instalações petrolíferas de empresas européias.
O potencial da Web para integrar horizontal e descentralizadamente comunidades sociais em conflito mútuo está tornando cada vez mais freqüentes e intensos os chamados diálogos impossíveis pela internet, como o que está sendo travado via blog por uma especialista australiana em anti-terrorismo e um dos principais artífices da estratégia militar do Taliban, a guerrilha afgã que é hoje a principal dor de cabeça dos Estados Unidos no mundo.
Este universo pouco conhecido das iniciativas de paz pela internet ainda está carregado de muitas dúvidas e suspeitas, uma herança das paranóias da extinta Guerra Fria. O projeto Peace on Facebook, por exemplo, é criticado pelo fato de que seu parceiro no MIT é um departamento que responde pelo intrigante nome de Instituto Tecnológico da Persuasão, que produz uma página chamada Peace Dot.
A conversa virtual entre a australiana Leah Farrall e o afegão Mustafá Hamid, mais conhecido no terrorismo internacional como Abu al-Masri, é parte da preparação de uma tese de doutorado pela australiana, especialista em inteligência anti-guerilheira e autora do blog All Things Counter Terrorism, o que gerou especulações sobre o seu real objetivo.
Inicialmente foram levantadas dúvida sobre a autenticidade dos comentários do líder afegão, mas depois surgiram comprovações independentes de que eles são realmente verídicos. O que ainda não está claro é se Leah e al-Masri estão genuinamente buscando uma aproximação ou se tudo não passa de um exercício de contra-inteligência.
As interrogações ainda são muitas neste processo de aproximação de adversários via internet. Mas alguns especialistas na Web, como o professor e escritor norte-americano Howard Rheingold acreditam que a rede pode estar começando a reproduzir parte daquilo que o filósofo francês Teillard de Chardin classificou como uma noosfera,um espaço de idéias em estado puro, não contaminado pelas paixões.