Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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Cientistas portugueses descobrem genes que dão origem às costelas

Cientistas portugueses do Instituto Gulbenkian de Ciência descobrem que a formação das costelas dos animais vertebrados resulta da atividade dos genes Hox.

Publicada: 27/04/2010 - 12h36m|Fonte: Expresso|Versão para impressão|

  • Os ratos normal (foto da esquerda), depois da experiência feita pelos cientistas (foto da direita)
  • Os ratos normal (foto da esquerda), depois da experiência feita pelos cientistas (foto da direita)
Cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, Portugal, descobriram que a formação das costelas dos animais vertebrados se deve à atividade de uma classe de genes conhecida por genes Hox.

E descobriram também que todo este processo de formação se inicia nos genes dos músculos, na fase do embrião, que depois enviam sinais para ativar os genes das costelas, o que significa que a formação das costelas e dos músculos que as suportam é um processo coordenado.

Segundo Moisés Mallo, líder desta equipe de cientistas, "as nossas descobertas revelam um processo mais complexo do que imaginávamos", mas que tem toda a lógica "do ponto de vista evolutivo e funcional", ou seja, "não faz sentido fazer costelas sem músculos".

Mecanismo único gera costelas e músculos associados

Por isso mesmo, no embrião "a produção de costelas e músculos associados está sob o controle de um mecanismo único e minuciosamente coordenado", conclui o pesquisador do IGC.

As descobertas portuguesas foram reveladas num estudo publicado pela revista científica de referência internacional "Developmental Cell", onde se explica que os pesquisadores do IGC geraram pequenos ratos com costelas a mais ao forçarem a ativação de uma classe de genes Hox - os Hox6 - na zona do seu corpo que dá origem à região lombar, onde habitualmente não há costelas.

Assim, em vez dos habituais 13 pares de costelas, os pequenos ratos nasceram com costelas da região cervical até a cauda, ficando com um esqueleto mais próximo do esqueleto de uma cobra.

Sistema de equilíbrio

Até agora se pensava que a região sem costelas do embrião do rato resultava da ação inibitória dos genes da classe Hox10, e experiências feitas anteriormente, onde estes genes foram desativados, fizeram com que os ratos nascessem com costelas em excesso.

As descobertas agora publicadas sugerem "que os dois grupos de genes (os Hox6 e os Hox10) se equilibram", argumenta Moisés Mallo, porque um dos grupos (Hox6) contribui para a formação das costelas, dando origem à região torácica, e o outro (Hox10) "bloqueia a atividade da região lombar".

Os seres humanos têm 12 pares de costelas que formam, tal como nos ratos, a caixa torácica. As cobras têm entre 200 a 400 pares de costelas desde o pescoço até a cauda.

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