Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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Chile: Manual orienta veículos de comunicação na abordagem de gênero

O sexismo na informação reproduz ou cria situações de discriminação e desigualdade, geralmente desfavorecendo às mulheres.

Publicada: 17/02/2011 - 07h31m|Fonte: Camila Queiroz - Adital|Versão para impressão|

  • Manual orienta veículos de comunicação na abordagem de gênero
  • Manual orienta veículos de comunicação na abordagem de gênero
O Acompanhamento Global dos Meios 2010 "Quem aparece nas notícias?”, pesquisa realizada em 108 países, apresenta fatos lamentáveis: somente 24% das pessoas mencionadas nas notícias, ou dando sua opinião ou em foco, são mulheres. Por outro lado, mais de três em quatro pessoas nas notícias são homens. Como fontes, as mulheres continuam sendo consultadas apenas na categoria de pessoas "comuns”; já os homens predominam como especialistas.

Alguns fatores indicam avanços e a possibilidade de mudanças. O Acompanhamento Global aponta que, do ano 2000 até 2010, houve um crescimento de seis pontos percentuais de presença das mulheres como sujeitos das notícias. Desde o ano 2000, a porcentagem de notícias assinadas por mulheres cresceu em quase todas as temáticas – com exceção de "ciência e saúde” –, entretanto, os homens ainda escrevem mais, em todos os temas.

Estes são alguns exemplos de desigualdade na abordagem de gênero na mídia, trazidos pelo manual "Por un periodismo no sexista: Pautas para comunicar desde una perspectiva de género en Chile”. O material, escrito por Gloria Alberti Garfias, Claudia Lagos Lira, María Teresa Maluenda Merino e Victoria Uranga Harboe, foi publicado a partir de uma parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a Oficina Regional de Educación para América Latina y el Caribe, a Cátedra Unesco - Universidad Diego Portales "Meios de Comunicação e Participação Cidadã”, o Programa de Liberdade de Expressão da Universidade do Chile e a Associação de Jornalistas do Chile.

Sem a intenção de criticar, mas de dialogar para buscar um "bom jornalismo”, as autoras consideram que os meios de comunicação são portadores de uma tarefa "crescentemente complexa” – a de informar – e, assim, podem tornar-se distribuidores ou concentradores de poder.

Nesse contexto, como surgem os estereótipos e a desigualdade de gênero? O manual analisa que, na rotina de trabalho jornalístico, é necessário priorizar e selecionar informação. Os jornalistas escolhem elementos da realidade e optam pelo que será noticiado. "É neste momento do processo que – com ou sem intenção – os meios refletem e reproduzem a discriminação de gênero”, considera.

O sexismo na informação reproduz ou cria situações de discriminação e desigualdade, geralmente desfavorecendo às mulheres. Dentre as saídas contra o preconceito, as autoras indicam a importância de pensar, na produção das notícias, de que forma homens e mulheres são afetados por um mesmo fato. "Isto implica decisões de enfoque jornalístico, linguagem, imagens, fontes e tipos de pergunta”, afirmam.

O manual está disponível para download em pdf:

http://www.nomasviolenciacontramujeres.cl/files/por-un-periodismo-no-sexista.pdf

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