Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2013

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Brasil busca cooperação internacional para enfrentamento ao tráfico de pessoas

Entre os últimos dias 28 de junho e 1° de julho, uma missão especial do Brasil visitou alguns países da Europa para trocar informações sobre tráfico humano

Publicada: 29/08/2010 - 10h06m|Versão para impressão|

  • Brasil busca cooperação internacional para enfrentamento ao tráfico de pessoas
Tatiana Félix - Adital

No período entre os últimos dias 28 de junho e 1° de julho, uma missão especial do Brasil, coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), esteve em Zurique e Genebra, na Suíça, e em Amsterdã, para trocar informações com a comunidade brasileira e com os governos locais sobre a realidade do tráfico de pessoas nestas regiões.

"A demanda para essa missão surgiu do consulado brasileiro em Zurique, pois lá está muito visível a questão da exploração de mulheres", explicou Clarissa Carvalho, assessora técnica da coordenação de acesso à Justiça e combate à violência, da Subsecretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).

Ela esclareceu que a iniciativa faz parte das prioridades do Governo Federal em estabelecer cooperação com os principais países de destino dos brasileiros e vítimas do tráfico de pessoas, para fortalecer as políticas de enfrentamento à este crime transnacional. O MRE aproveitou a proximidade dos outros dois consulados para incluí-los também nesta troca de experiências.
De acordo com ela, o primeiro passo da missão foi o de procurar conversar com a comunidade brasileira. "Como tem muitos brasileiros em Zurique que se encontram em uma associação, o Ministério procurou conversar com eles para saber qual o grau de conhecimento deles sobre a realidade do tráfico de pessoas", disse.

Com este diálogo estabelecido, Clarissa disse que foi possível perceber que, apesar de a maioria das pessoas já ter ouvido falar saber de casos de tráfico de pessoas, elas desconhecem as políticas do governo brasileiro de repressão ao crime e assistência às vítimas.

"Há um conhecimento sobre tráfico de pessoas e rede de exploração sexual, tráfico para casamento servil, para exploração do trabalho doméstico, que acontece muito. Mas, as pessoas não sabem onde obter informações e pedir ajuda", observou. Com base nisso, foi, então, esclarecido que o papel do Consulado não é apenas lidar com documentos, mas, também dar apoio aos brasileiros no exterior, mesmo aqueles que estão em situação ilegal.

Segundo ela, o passo seguinte da missão foi a troca de experiências entre os governos. "Apresentamos as políticas brasileiras, com a integração dos ministérios, os programas sociais e as redes de atendimento às vítimas no país", informou.

Ela ressaltou que já existe uma parceria entre as polícias da Suíça e do Brasil, no sentido da repressão do crime. De acordo com ela, o governo brasileiro fez um pedido de cooperação para quando os países deportarem brasileiros vítimas do tráfico de pessoas, avisarem as polícias nacionais, para que, chegando aqui, a vítima possa ser recebida e encaminhada a um serviço de atendimento. Ela disse que desta maneira, será possível obter dados sobre o tráfico de pessoas envolvendo brasileiros.

Clarissa enfatizou que, embora nesta primeira missão não se tenha assinado nenhum acordo, há uma expectativa para avançar nessa questão. "Já temos um acordo assinado com Portugal e estamos caminhando para assinar também com a Espanha. Em Zurique, devemos voltar até o final do ano para continuar esse trabalho de cooperação e combate ao tráfico", esclareceu. Ela adiantou ainda que uma missão semelhante à esta que aconteceu em Zurique acontecerá em setembro com a Espanha e Portugal.

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