Segunda-Feira, 27 de Outubro de 2014

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Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela.Estaria a América Latina em perigo?

A mídia ocidental oculta uma campanha dos grupos transnacionais para retomar o poder na América Latina. O investimento de trilhões é a confirmação disso.

Publicada: 01/10/2014 - 10h44m|Fonte: Carlos Santa María - RT|Versão para impressão|

  • George Soros, magnata norte-americano é um dos apoiadores e financiadores de Marina
  • George Soros, magnata norte-americano é um dos apoiadores e financiadores de Marina
    Foto: redecastorphoto
A mídia ocidental oculta uma campanha dos grupos transnacionais para retomar o poder na América Latina. O investimento de trilhões é a confirmação disso.

O que aconteceria com o Brasil se voltasse ao neoliberalismo extremo como propõe Marina Silva? O que aconteceria se os fundos Abutres triunfarem na Argentina? Que importância teria se no Uruguai a direita derrubasse o governo? Como e quanto é o investimento financeiro-militar que esta sendo sendo feito na America do Sul.

Estas perguntas são da maior importâncias pois é claro para os analistas que analisam a realidade global que há uma campanha subterrânea para desestabilizar o continente, que pode ser expressa nos seguintes fatos.

Em relação ao Brasil, a partir da Copa do Mundo 2014, percebe-se mais claramente um ataque intensivo de de grande magnitude contra o governo de Dilma Rousseff, a fim de enfraquecer a sua gestão e tentando associar o fracasso no futebol, com uma decepção social.

O acidente e morte do candidato a presidente Eduardo Campos do PSB, que até o momento deixa muitas perguntas sem respostas sobre suas causas, permitiu que empresas transnacionais alavancassem a candidatura de Marina Silva, representante do neoliberalismo extremo, transformando-a em sua candidata estrela, para satisfazer cegamente uma profunda convicção da necessidade de reverter os ganhos sociais obtidos no país.

Não sem razão, as suas propostas são destinadas a acabar com o controle de preços feito pelo governo, estabelecer a chamada "livre flutuação cambial" sem intervenção do Banco Central, fortalecendo assim a indústria do agronegócio para permitir a Monsanto maior capacidade de negociação como grupo econômico estrangeiro, fortalecer as relações com o s Estados Unidos e a Aliança do Pacífico, enfraquecer o Conselho de Defesa Sul-Americano, os BRICS e a UNASUL.

Marina é a candidata do empresariado financeiro que tem criticado as taxas de juros e o endividamento familiar e como solução tem a proposta de privatizar a nação, tendo como sua base eleitoral a classe média especialmente em grandes cidades como Rio e São Paulo.

A posição atual do Brasil com uma política internacional de dignidade, causou ressentimento e necessidade de mudança por parte das elites. Ainda mais depois de denunciar as espionagens feitas pelos Estados Unidos e a condenação dos ataques aéreos a Síria (ao entender que o objetivo não é nada mais do que destruir a capacidade energética do país e não o terrorismo), isso possibilitou deixar claro uma realidade que a Coalizão permanentemente esconde.

Sua posição firme pela integração da América Latina, mantendo laços com a Russia e China, fornece percepções sobre o porque do ataque a partir dos nós de poder, porque o Brasil está inserido no contexto da atual guerra quente.

Por este motivo Bancos Privados injetam milhões de dólares em créditos, empréstimos, a instituições de fachada, de "formação educacional", doações, etc. Tudo isso para dar suporte e contribuir para a campanha conservadora.

Apesar das críticas de Marino, o próprio FMI há previsto ao Brasil um desempenho econômico superior ao dos Estados Unidos e da União Européia, superando em seu PIB o Canadá, Espanha e Itália.

Além disso tem superado o abismo entre ricos e pobres, ampliando substancialmente para 34 milhões o número de pessoas que abandonaram esta situação, com a menos taxa de desemprego da história(4,9%).

Os vários projetos sociais (Fome Zero, Prouni, Minha Casa minha vida, Brasil sem pobreza, etc) têm sido um pilar importante para o avanço da igualdade com destaque para o aumento proporcional do salário, que permitiu o acesso a melhores condições de vida.

No entanto, é preciso reconhecer as limitações no setor de educação e da saúde devido à privatização destes, e as dificuldades causadas pela violência diária.


Quanto a Argentina, os ataques têm sido constantes pela posição do país em relação ao esforços para pró-integracionistas.

Quando o Sr. Grisea advogado de tradição ultraconservadora e inimigo da democracia, se dá ao luxo de definir a Argentina como um Estado "em desacato" vemos o absurdo levado ao extremo, situação própria de ridículo mundial.

Neste sentido, a preeminência do povo soberano se manifestou em uma carta pública que afirma que qualquer decisão da justiça dos Estados Unidos que prejudique a reestruturação da dívida seria "uma interferência ilegítima nos assuntos internos do estado argentino" e "comprometeria a responsabilidade internacional dos Estados Unidos da América".

A desestabilização através de tentativas de greves em caráter nacional, ligadas a movimentos organizados pela mídia, questionando o governo sem misericórdia, criam condições necessárias para uma crise social.
As limitações dos voos e ao dólar paralelo, artificialmente criado, indica que milhões de pesos argentinos estão sendo reciclados em moeda estrangeira que abandona o país.

Uruguai, que condenou publicamente o bloqueio à Cuba na ONU, junto com Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Chile, estão sendo submetidas a uma pressão imensa de diversas formas e encontram-se na mira dos gaviões prontos para investir grande quantidade de dinheiro para hipotecar seus territórios.

No caso da Venezuela é conhecida de forma concreta a aliança da oposição com movimentos não democráticos conservadores na Espanha, Colômbia, México, Chile, entre outros, que mais uma vez estabelecem uma "solidariedade" comum para desestabilizar o país, contando com apoio de agências de inteligência estrangeiras. Para fazer isso trabalham em 5 eixos:

1- Campanha de mídias internacional e relações estratégicas;

2- Violência organizada com Homens armados, e estudantes "unidos";

3 - Uso massivo de redes para desacreditar o governo com potencialização das mídias impressas, rádios e televisão;

4 - Investimento sem limites de milhões de dólares para ONGs de todos os tipos, tanto institutos como organizações fascistas;

5 - Consolidação geopolítica de regiões, compra de parlamentares e críticos em geral, desabastecimento, violência e anarquia, sem excluir as infiltrações no Partido Socialista Unificado e nas forças armadas.

No Chile, existe uma campanha para implantar o medo na sociedade. É importante mencionar como um dado muito grave a profecia cumprida por parte da Inglaterra e Austrália, que alertaram seus cidadãos que neste país há terrorismo, uma semana depois uma bomba caseira explode nas mediações do metro.

O paradoxo é que a Inglaterra, que liderou a Jihad Islâmica e se apoderou das Ilhas malvinas, mantendo com sangue e fogo, é uma potência colonial que adverte sobre o terrorismo e ao mesmo tempo colabora com ele, como é o caso do massacre na Ucrânia, Síria, Iraque e palestina, ajudando criminosos internacionais, empunhando na verdade uma cínica bandeira falsa.

A verdade é que a desestabilização do Chile começou, proporcionando uma mudança de governo a partir do centro para a direita.

Finalmente, cabe considera com preocupação a possibilidade que a independência adquirida com tanto esforço e a custa de perda de vidas, produto das ações armadas desestabilizadoras, repressão e assassinatos incentivados pelo exterior, podem converter novamente a América Latina na categoria de "quintal".

As eleições de 5 de outubro no país do samba como símbolo da plasticidade brasileira, envolve três tarefas muito importantes para a cidadania:

Promover por todos os meios clareza sobre a ameaça que paira sobre a classe trabalhadora e os setores mais desfavorecidos de chegar um governo neoliberal ao poder.

Decidir pela continuação coerente de uma política de autonomia e soberania no campo econômico.

Reforçar a ideia de integração com dignidade soberana cujo caminho se espera consolidar em poucos anos.

Há uma estratégia e a primeira peça-chave é justamente a mais delicada e com maior importância, o Brasil. Delicado por correr o risco de uma provável mudança de governo, e importante pelo poder que emana por ser uma das oito maiores potências econômicas e potencialmente mais poderosas do mundo.

A restauração do despotismo neoconservador na América Latina está em pleno andamento, utilizando ferramentas mais tradicionais de obscurecimento ideológico para que em um momento inesperado, o processo tradicionalista de mercado torne-se um regime absoluto e a opção de devolvê-lo ao armário dos trastes seja dificilmente possível.
Você tem que abrir sua mente, seus olhos, e mobilizar grupos sociais e atuar com rapidez democrática.


Autor:
Carlos Santa María - Analista internacional - RT.

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