Segunda-Feira, 27 de Dezembro de 2010

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Ato em São Paulo intensifica ações contra o golpe de estado em Honduras

Há uma propaganda midiática muito forte dos golpistas de dizer que não é um golpe de Estado. Nos jornais impressos e nas televisões de Honduras

Publicada: 05/08/2009 - 09h55m|Fonte: Adital|Versão para impressão|0 comentário(s)

O Centro de São Paulo (Brasil) está, neste momento (das 17h às 20h do dia 4), recebendo um dirigente hondurenho e uma brasileira que esteve em Honduras. José Obólio Fuentes, da Central Geral de Trabalhadores (CGT) de Honduras, e Bernadete Monteiro, feminista que integrou uma missão internacional solidária, estão falando sobre a situação do país após o golpe de Estado que depôs o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho. O ato está sendo realizado pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM).

"Há uma propaganda midiática muito forte dos golpistas de dizer que não é um golpe de Estado. Nos jornais impressos e nas televisões [de Honduras], eles estão querendo vincular os protestos a Hugo Chávez [presidente da Venezuela]", relatou Bernadete em entrevista à ADITAL.

Ativista da MMM, Bernadete fez parte da Missão Internacional de Solidariedade, Observação e Acompanhamento a Honduras. O grupo foi composto por dez representantes da América Latina e Europa e percorreu o país de 26 de julho a 1º de agosto.
Durante os sete dias, a missão percorreu a capital Tegucigalpa e a cidade de El Paraiso, na fronteira com a Nicarágua, por onde Zelaya tentou ingressar no país no último dia 24. Nas duas cidades, manifestações pacíficas contrárias ao golpe estão sendo tratadas de modo violento, expôs a feminista. Só neste fim de semana, dois professores foram assassinados na capital.

Martín Florencio Rivera, de 37 anos, foi morto sábado (1º) com 25 facadas. O professor saía do velório de seu colega Roger Vallejo Soriano, de 38 anos, assassinado no dia anterior com um tiro na cabeça. Soriano foi executado no momento em que participava da greve geral que paralisou Honduras nos dias 30 e 31 de julho.

A missão conversou com representantes do Bloco Popular de Honduras, da Via Campesina do país, do grupo Feministas em Resistência, de dois organismos de direitos humanos e dois promotores de justiça contrários ao golpe. "Apesar de os movimentos sociais estarem firmes nas ruas, os militares não têm arredado um passo sequer", avaliou.

A feminista considerou que "há uma desinformação da população, por causa de uma intensa propaganda midiática. Apesar disso, há um clima de indignação e medo, mas as pessoas [que não integram nenhum movimento social] estão indo às ruas".

"As missões têm impactado bastante em Honduras, porque funcionam como interlocutores [internacionais] do que está ocorrendo por lá", disse Bernadete. Para ela, as missões "têm sido importantes para mostrar que a comunidade internacional não apóia o golpe".

A feminista pontuou, no entanto, que "todo mundo tem se manifestado contra, mas não há uma postura mais forte [dos países] com relação ao âmbito econômico, principalmente dos governos de direita".

A Missão Internacional de Solidariedade, Observação e Acompanhamento a Honduras integrou redes, movimentos sociais, ONGs, organizações de direitos humanos e responsáveis políticos da Europa e América Latina. Foi organizada pela Rede Birregional Europa, América Latina e o Caribe "Enlaçando Alternativas".

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