Segunda-Feira, 27 de Outubro de 2014

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Argentina julga médicos acusados de participar do sequestro de bebês durante ditadura

Doutores convocados, no entanto, não prestam depoimento; entre os julgados está o último presidente da ditadura argentina, Reynaldo Bignone

Publicada: 22/09/2014 - 21h07m|Fonte: opera Mundi|Versão para impressão|

  • Reynaldo Benito Bignone, Santiago Omar Riveros e a Luisa Yolanda Arroche na última quarta-feira
  • Reynaldo Benito Bignone, Santiago Omar Riveros e a Luisa Yolanda Arroche na última quarta-feira
    Foto: Agência Efe
Pela primeira vez na história da Argentina, médicos acusados de terem colaborado com o desaparecimento de bebês durante a ditadura militar foram chamados pela Justiça. Eles deverão esclarecer o ocorrido em nove casos de apropriação de filhos de jovens sequestradas e desaparecidas pela ditadura. Destes, cinco já recuperaram a identidade.

Dos cinco médicos convocados para prestar depoimento nesta segunda-feira (22/09), nenhum deu declarações.

Reynaldo Bignone, ex-presidente argentino, de 86 anos e Santiago Riveros, de 91, foram os primeiros a se sentar diante dos juízes, mas só ofereceram dados pessoais. Norberto Biano somente lembrou que cumpriu uma condenação de “11 anos, cinco meses e 19 dias” por apropriação e ocultamento de menores.

Os três são acusados de ter participado em partos clandestinos onde guerrilheiras detidas ilegalmente deram a luz e seguiram desaparecidas após terem os filhos subtraídos do convívio delas.

Neste caso, Bianco responde por ter sido o responsável pela maternidade que funcionou no centro clandestino de detenção no Campo de Maio e é considerado peça-chave para entender como funcionava o esquema de sequestro de bebês. Bignone e Riveros cumprem pena de prisão perpétua por distintos crimes de lesa humanidade.

O médico clínico Raúl Martín, de 75 anos, que era chefe do serviço da clínica médica do hospital militar do Campo de Maio, e a obstetra Luisa Yolanda Arroche de Salas Garcia, de 85 anos, não compareceram para prestar depoimento.

Alan Iud, advogado das Avós da Praça de Maio, afirmou que a importância do julgamento reside no fato de que “até agora, apenas julgamos os apropriadores dos bebês… há alguns anos começamos também a julgar os organizadores do plano sistemático de apropriação, mas o elo intermediário, sem o qual não teriam ocorrido essas subtrações (são) os médicos”.

A defesa dos acusados pediu que eles não tenham que comparecer às sessões seguintes e somente na última, quando pretendem estender as declarações.

O julgamento é considerado continuidade do que ocorreu em 2011, quando ficou provado que existiu um plano sistemático para roubar bebês e pelo qual foram condenados militares do alto escalão como Riveros e Bignone.

Estima-se que, durante a ditadura militar argentina, 30 mil pessoas desapareceram. As Avós da Praça de Maio conseguiram localizar 115 netos, dos 500 que foram roubados das filhas grávidas.

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