A Frente Nacional contra o golpe de Estado de Honduras acusam os EUA de dupla moral perante golpe militar
O governo norte-americano diz publicamente que reconhece como único presidente a Manuel Zelaya, apesar de que não qualificou o acontecido no passado 28 de junho
TEGUCIGALPA (PL). — A Frente Nacional contra o golpe de Estado de Honduras acusou no último dia 3 de agosto os Estados Unidos de praticarem uma dupla política face ao golpe militar, dirigida a permitir que este ganhe tempo e se consolide.
Numa inusual entrevista coletiva na via pública e perante milhares de mestres e professores, o dirigente da Frente apontou que esse é o fundo da mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias.
O secretário-geral da Federação Unitária dos Trabalhadores (FUTH), Israel Salinas, afirmou que desde o início do golpe, a Frente tem a convicção dessa dupla política norte-americana.
Desde a multidão, vários dos presentes gritaram: É sua dupla moral e repetiram várias vezes a frase.
Salinas acrescentou que por um lado, o governo norte-americano diz publicamente que reconhece como único presidente a Manuel Zelaya, apesar de que não qualificou o acontecido no passado 28 de junho como golpe de Estado.
Entretanto — precisou — desenvolve-se uma estratégia para que se prolongue a situação e se consolidem os golpistas.
Apontou que por essa razão a Frente desafia o governo dos Estados Unidos para que adote sanções concretas e para que o país possa liberar-se "destes usurpadores".
Respondendo a uma pergunta sobre a mediação de Arias, o coordenador geral da Frente e presidente da FUTH, Juan Barahona, apontou que as forças populares rejeitaram desde o golpe o diálogo com os golpistas.
Explicou que fazê-lo é legitimar um grupo de militares e empresários que assaltou o poder, violando as normas constitucionais e obviando o estado de direito.
Recusou as gestões de mediação empreendidas junto a Arias pelo secretário ibero-americano, Enrique Iglesias, muito próximo — dijo — do cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, um dos principales partidários do golpe.
Acrescentou que todas essas ações dilatórias são a favor dos golpistas.
Por isso, é a resistência do povo que permitirá derrotar os golpistas, o que nós não façamos, ninguém vai fazer, expressou. •